Vítima busca indenização por erro médico
Lúcio Horta
De Londrina
Uma ação indenizatória movida pela dona de casa Matrona Stoicov Rodrigues contra o ginecologista Lúcio Alberto Carvalho Novaes, de Londrina, é o novo capítulo de uma novela que já se arrasta há mais de nove anos. A acusação: erro médico.
No final de agosto de 1990, Lúcio Novaes teria diagnosticado câncer genital na paciente sem fazer exame de biópsia. Nove dias depois, procedeu a cirurgia de extração dos grandes e pequenos lábios, do clitóris e glândulas da paciente. Após a cirurgia, o exame apontou que Matrona sofria apenas de dermatite crônica, ou seja, alergia de pele.
A ação de indenização, realizada pelo advogado Antônio Carlos Cantoni, foi ingressada no Fórum de Londrina no dia 17 de setembro e encaminhada para a 6ª Vara Cível, do juiz Celso Saito. O juiz não soube informar se o médico foi ou não citado. O oficial de justiça designado estaria encontrando dificuldades para encontrá-lo. Depois de citado, Lúcio Novaes terá 15 dias para apresentar defesa.
Matrona Stoicov conta que em 1990 procurou o médico porque havia identificado manchas escuras na área genital. Antes dele, já havia passado por outro especialista, que sugeriu o exame de biópsia mas não pôde realizar o procedimento porque saiu de férias. Assustada com as manchas e com a possibilidade de ter câncer, Matrona procurou outros especialistas, até chegar ao nome de Lúcio Novaes.
Segundo ela, o médico, depois de fazer uma análise clínica, teria confirmado que o problema era realmente um melanoma maligno (câncer) e que a única solução seria a cirurgia de extração chamadas de vulvectomia e linfonindectomia (retirada de glândulas).
Além disso, o médico informou que, sem o procedimento cirúrgico, Matrona não teria mais do que dois anos de vida. Novaes teria ido até ao local de trabalho do marido de Matrona para acertar os honorários. Ele garantiu que, se não fizesse a cirurgia rapidamente, poderia morrer. Então resolvi fazer, recorda.
Ainda segundo a paciente, Lúcio Novaes alegou que tinha larga experiência e apenas com a análise clínica já poderia identificar o problema médico. Ou seja, não seria necessário, naquele momento, a realização do exame de biópsia. Quando o resultado do exame saiu, no entanto, dando o resultado negativo, a paciente passou a acreditar que foi mutilada.
Com a ação indenizatória, Matrona pretende reparar os danos que teria sofrido moral e físico e também o prejuízo financeiro. Ela diz que durante muito tempo precisou de tratamento psicológico e que vai depender de fisioterapia para o resto da vida. Sem contar as diversas viagens que fez para Curitiba, Brasília, e até passagens de avião para advogado. Antes eu nem pensava em indenização. Mas já gastei muito dinheiro e passei muita humilhação. Não acho isso justo.
A paciente acrescentou que, depois da cirurgia, ficou quase um ano sem andar. Por dois anos, também sentia fortes dores na área afetada pela cirurgia, além de um longo processo de infecção. Ainda hoje diz que sofre inchaço nas pernas, em função das glândulas que foram retiradas, e que deixou de realizar normalmente as tarefas de casa. A vida sexual é péssima, segundo avalia. Espero que isso seja um alerta para médicos e pacientes para que um caso como esse nunca mais aconteça.Mulher que teve dermatite diagnosticada como câncer e foi submetida a cirurgia para retirada de órgãos aciona ginecologista
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