Osmani Costa
De Londrina
O golpe é antigo. É a tal história do bilhete premiado, que o golpista diz ter mas não quer ir até a Caixa Econômica Federal (CEF) receber por um motivo qualquer. Enganada – normalmente pela ganância de receber um dinheiro fácil –, a vítima acaba entregando alguma quantia ao golpista, que some em seguida. O golpe é comum e atinge normalmente pessoas idosas.
Anteontem, o golpe foi aplicada novamente na cidade. A vítima desta vez foi uma professora da Universidade Estadual de Londrina, 60 anos. Ao contrário do que ocorre na maioria das vezes, ela não teve vergonha de contar que foi enganada. Pelo contrário, chamou a imprensa para alertar sobre os riscos que correm as pessoas honestas que confiam em estranhos.
A professora – que não quer se identificar por medo dos golpistas – explica que não caiu no golpe por ganância, mas por excesso de confiança no ser humano. ‘‘Na profissão e na vida particular, sempre preguei que devemos confiar na sinceridade, na honestidade das pessoas. Agora estou me sentindo ambígua, tendo que pedir para as pessoas desconfiarem. O mundo e a vida mudaram muito, o risco está onde a gente menos espera’’, comenta a vítima.
Ela perdeu R$ 2.500,00 no golpe do falso bilhete premiado, e conta como aconteceu: ‘‘Estava no estacionamento de um supermercado. Chegou um velhinho humilde, com um bilhete da Mega Sena nas mãos. Dizia que era premiado, mas que não sabia como fazer para receber. Nisto chegou um jovem senhor, engravatado, dizendo ser gerente de um banco. Entrou na conversa e telefonou, via celular, para confirmar os números. Passou o telefone para eu ouvir, enquanto ele anotava num papel. Os números conferiram com o do bilhete do velhinho. Ele tinha mesmo sido premiado.’’
A professora conta que, tentando ajudar, ofereceu uma carona para o ‘‘premiado’’ até a agência centro da CEF. O outro senhor se prontificou a ir junto. De acordo com ela, no caminho o velhinho se mostrou aflito, por ter ganho tanto dinheiro – seria cerca de R$ 1.250.000,00 – e estar indo ao banco com estranhos. Depois, ele teria oferecido R$ 250 mil para ser dividido entre as duas pessoas, pela ajuda.
‘‘Eu recusei imediatamente. Disse que não queria nada, mas apenas ajudá-lo a receber e evitar possíveis problemas com ladrões. O outro senhor se mostrou interessado no dinheiro do prêmio’’, lembra a vítima. Colocando obstáculos para ir à CEF, o ‘premiado’ disse que só aceitaria a ajuda se os dois ‘colaboradores’ tivessem dinheiro suficiente para serem confiáveis.
O senhor bem vestido foi até a suposta casa dele e pegou um pacote, onde teria cerca de US$ 5 mil. Para mostrar que era de confiança, a professora foi até um banco e sacou os R$ 2.500,00. Neste tempo todo, os dois golpistas ficaram no carro da vítima. Quando ela voltou, o velhinho golpista disse que a quantia era pequena, que precisaria de no mínimo R$ 5 mil. O outro senhor ofereceu dinheiro para ela só mostrar ao velhinho. Teriam que ir à casa dele buscar.
‘‘Chegando lá perto, numa esquina do centro, ele pediu para eu sair do carro e ir até a casa dele pegar o dinheiro com a empregada. Fui. Quando virei a esquina, notei que a casa estava fechada e com placa de aluga-se na frente. Voltei correndo para o carro, mas o dois já haviam fugido com o meu dinheiro’’, detalhou a professora da UEL. O golpe estava consumado.

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