Vítima aguarda remoção para Centro de Queimados
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sexta-feira, 17 de outubro de 2003
Guto Rocha<br> Reportagem Local 
Um acidente de trabalho que provocou a morte de uma pessoa e deixou outras duas com queimaduras graves pelo corpo voltou a chamar a atenção para a falta de local adequado para atendimento de queimados em Londrina. Os dois sobreviventes do acidente tiveram entre 75% e 90% do corpo queimado pelo vapor de uma tubulação em que faziam manutenção na tarde de anteontem, na Companhia Cacique da Café Solúvel. O mecânico Aparecido Alves, 34 anos, não resistiu aos ferimentos e acabou morrendo.
Como Londrina não conta com centro especializado para atendimento desse tipo de vítimas, os dois estão internados em Unidades de Terapias Intensivas (UTIs) convencionais em dois hospitais da cidade. O projetista Franklin de Oliveira Gomes, 68 anos, está na UTI da Santa Casa e, segundo boletim médico divulgado pela assessoria de imprensa do hospital, ele está consciente e sem febre. A direção do hospital solicitou transferência para uma unidade de queimados de outro município, mas não obteve sucesso.
A outra vítima, o mecânico Leandro Moreira Blaco, 21 anos, está na UTI do Hospital Evangélico. Segundo a assessoria do hospital, o estado de saúde dele é estável.
O presidente do Sindicato dos Hospitais de Londrina e região, que também é diretor-geral do HE, Antonio Carlos Assis Ribeiro, afirma que a falta de um centro para queimados prejudica o tratamento das vítimas desse tipo de acidente. ''Hoje não temos condições de prestar um atendimento adequado para vítimas de queimaduras em Londrina''.
Mas segundo o chefe da 17 Regional de Saúde de Londrina, Gilberto Martin, até o ano que vem Londrina deverá contar com um Centro de Referência no Tratamento de Queimados. ''Estamos caminhando a passos mais concretos nesse sentido'', diz. Ele afirma que o governador Roberto Requião (PMDB) já designou uma equipe técnica para avaliar o local no Hospital Universitário onde deverá ser construído o centro. ''Estamos na fase de elaboração dos projetos arquitetônico e orcamentário da obra, que devem ficar prontos em 30 ou 40 dias''.
Martin destacou que, com o orçamento da obra finalizado, o governador terá condições de fazer realocações de verbas do orçamento do Estado deste ano para o centro. ''Além do que já está previsto para o orçamento do ano que vem'', adiantou.
Um levantamento inicial indicou que a construção do centro para queimados teria um custo de R$ 2,5 milhões. Segundo Martin, a unidade deverá ter 20 leitos, sendo seis UTIs e 14 enfermarias, além de um centro cirúrgico. O custo mensal de manutenção deve ficar em torno de R$ 120 mil R$ 30 mil com gastos em materiais e medicamentos e R$ 90 mil em recursos humanos. ''A implantação do centro no HU é uma forma que o governo tem para garantir a alocação de parte desses recursos do Sistema Único de Saúde (SUS)'', comenta Martin.


