A escritora Tânia Zagury, que já lançou 13 livros - dois sobre adolescência - critica posturas radicais na fixação de limites para os jovens. ''Às vezes, o pai permite tudo para não se aborrecer ou porque não tem tempo para monitorar o filho. Outros proíbem tudo, o que também não é saudável, assim como não é bacana frequentar a balada do filho. Fazendo isso, não se dá a ele a chance de se tornar independente. O pai que confia no filho e autoriza a saída também não deve ficar na sala, com a luz acesa, esperando ele voltar. E nem mandar abrir a boca para tentar rastrear se o jovem bebeu. Vistorie sim, mas discretamente. Desconfiança infundada magoa.''
Mestre em educação, Tânia enfatiza que permissividade na infância dificulta a imposição de regras na juventude. ''Se aos quatro anos o filho escolhe o canal de TV, aos 18 ele pegará o carro sem autorização para sair à noite. Os pais devem ter uma meta educacional, uma coerência de atitudes. Não resolve o pai deixar e a mãe proibir. Se não há padrão, o jovem será mais teimoso. Uma boa dica para argumentar é apoiar-se na lei. Por exemplo: menores de 18 não vão a baladas porque é ilegal. Funciona mais do que dizer: 'eu não ia na minha época, você não vai'. Fica parecendo vingança. Mesmo assim, vai ter choro, cara feia e porta batida. Resistir a um 'não' é normal, mas os pais devem manter as regras que acharem razoáveis para a maturidade do filho.''
Psicoterapeuta pela Universidade de São Paulo e psicólogo das agências Elite e L'Equipe, Marco Antônio de Tommaso lembra que a adolescência marca a passagem de uma vida regida pelo princípio do prazer para o princípio de realidade. ''A criança responde pelo prazer, você não a convencerá de que a vacina que dói é boa. Na adolescência, o filho percebe que nem tudo que é agradável pode ser feito, que não é livre para fazer tudo, mas o que é permitido. É uma fase de bombardeio hormonal e contestação. Para alguns, a vontade de extravasar na balada é a forma de auto-afirmação, de buscar a independência - ainda que seja uma busca de modo errado'', analisa. (Agência Estado)

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