Uma equipe do Instituto de Criminalística de Londrina encerrou ontem vistoria em quatro distritos policiais da Cidade. O trabalho, que começou na segunda-feira, foi determinado pelo juiz corregedor de execuções penais, Roberto Correia do Vale, dois dias depois da fuga de 44 presos do 3º DP. O objetivo é fazer uma radiografia completa da situação de cada um dos distritos - que mantêm presos na Cidade - e também de cada detento.
Foram visitados o 2º, 3º, 4º e 5º DPs. Segundo o perito Geraldo Gonçalves de Oliveira Filho, que comandou o trabalho, até a próxima segunda-feira o laudo deverá estar pronto e entregue ao juiz Roberto do Vale. Ao todo, foram 31 questões envolvendo condições físicas do prédio, saúde dos presos, estado legal de cada um, etc.
Geraldo Gonçalves diz que foram constatadas várias irregularidas durante o trabalho e que constarão no laudo final. Caberá ao juiz decidir qual a melhor solução, como por exemplo reforçar a segurança dos prédios mais vulneráveis ou mesmo mandar fechar algum distrito.
Entre os problemas encontrados estão a superlotação das celas, presença de doenças infecto-contagiosas entre os presos, ambiente insalubre, policiais civis com desvio de função (acumulando papel de carcereiro), falta de guarda externa, presos cumprindo penas fora da Penitenciária e total falta de segurança. No 3º DP, por exemplo, a espessura da laje tinha a metade do que previa o projeto original do prédio, o que facilita fugas pelo telhado. Isso já ocorreu.
O último distrito vistoriado, no começo da tarde de ontem, foi o 5º DP, na zona norte. Lá, 45 presos dividem seis celas com quatro camas cada uma, o que daria uma capacidade para 24 detentos. O perito Luciano Bucharles observa, no entanto, que a legislação penal estabelece para cada preso um espaço mínimo de seis metros quadrados. ‘‘Essas celas têm um pouco mais do que isso.’’
Além de muita reclamação, os peritos da Criminalística também encontraram alguma resistência dos presos em dar informação. Eles temiam que a visita fizesse parte de mais um jogo de cena, armado depois da fuga em massa no 3º DP, e que as péssimas condições dos distritos continuariam as mesmas.
‘‘Eu não posso garantir que a situação de vocês vai melhorar, mas garanto que vou relatar tudo isso que encontrei ao juiz’’, observou o perito Geraldo Gonçalves de Oliveira Filho, visivelmente indignado com a situação que encontrou nos quatro distritos que foram visitados pelo grupo.
Os peritos foram recebidos, no setor fechado onde ficam as celas, pelo ‘‘preso de confiança’’ Agnaldo Ribeiro, 29 anos. ‘‘Sou de confiança mesmo, não de sacanagem’’, brincou o detento, se referindo à fuga no 3º DP, facilitada por um preso que tinha as chaves da carceragem. Ribeiro era o único que não estava preso nas celas na hora da vistoria. Ele está há oito meses instalado no distrito da zona norte, depois que foi acusado de latrocínio, mas diz que amanhã mesmo deve conquistar a provisória para responder o processo em liberdade.
O delegado Algacir Ramos, responsável pelo distrito, assegura que Agnaldo Ribeiro não fica fora da ala fechada, onde estão as celas. ‘‘De confiança é o jeito de falar. Ele não é da minha confiança, é um preso como outro’’, garante. Ramos explica que a função de Agnaldo é levar refeições, estender roupas e, quando alguém tem que sair, abrir a cela e levá-lo até a porta de saída do setor. ‘‘Senão, se a gente for sozinho tirar um preso, acaba virando refém.’’

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