As grades das entradas das celas cheias de objetos dos mais diversos denunciam a superlotação, realidade comum entre todos os quatro distritos policiais de Londrina que abrigam presos provisoriamente. E esta situação acaba gerando outras como, por exemplo, a maior facilidade para arquitetar fugas e rebeliões. Na tentativa de coibir essas possibilidades, a Polícia Civil, com apoio do Pelotão de Choque, realizou na tarde de ontem vistorias com detectores de metais nos três DPs da cidade com carceragens masculinas e apreendeu celulares, brocas e estoques, principalmente no 2º DP (Zona Leste). No mesmo local, os policiais frustraram um futuro plano de fuga através de um túnel.
O trabalho de revista começou às 14 horas e durou toda a tarde. No maior deles, o 2º DP, que ontem abrigava 240 presos (a capacidade é para 64), os policiais encontraram grande quantidade de estoques, pedaços de serras e brocas, três telefones celulares e parafusos que foram arrancados das grades. Ao revistar o lixo que havia sido recolhido das celas, o delegado-adjunto da 10 Subdivisão Antônio do Carmo encontrou uma ''matraca'', mecanismo feito artesanalmente a partir de garrafas plásticas que os presos usam para furar o piso e cavar túneis para fuga. Na ''geral'' em uma das celas veio a constatação: o piso já estava sendo perfurado.
A última revista no distrito havia ocorrido sete dias atrás mas o delegado argumentou que é praticamente impossível conseguir barrar a entrada de tudo que é proibido na carceragem. ''Os próprios familiares ou as companheiras dos presos é que trazem esse material'', lamentou, comentando que muitos objetos entram escondidos em partes íntimas dos visitantes.
No 4º DP (Zona Sul), que tem capacidade para 24 mas ontem abrigava 92 presos, pouca coisa foi apreendida. No 5º DP (Zona Norte), que também foi construído para apenas 24 presos mas tinha 95, nada de irregular foi localizado.
Num comparativo entre os anos de 2004 e 2005 sobre a situação de superlotação de presos nos DPs, o delegado-adjunto admitiu que o quadro é pior hoje do que há 12 meses. Nos DPs, até 17 presos chegam a dividir um único xadrez. ''Trabalhamos com o que temos. Está lotado e vai ficar mais porque a polícia não vai deixar de prender ninguém'', apontou. Experiente, Antônio do Carmo lembrou que há 14 anos havia apenas a Cadeia Pública (área central), com 180 presos. Hoje, a cidade soma cerca de 1600 presos contando os DPs, as prisões provisórias e a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL).

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