O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) antecipou a divulgação do resultado da vistoria feita na Fazenda Rincão, em Ibaiti (80 km ao Sul de Jacarezinho), que estava prevista para amanhã. Segundo o superintendente do Incra, Petrus Imile Ab-Abib, a área é produtiva. A Fazenda Rincão foi invadida no final de fevereiro por um grupo de 50 famílias vinculadas ao Movimento de Trabalhadores Sem Terra (MST).
‘‘A área é produtiva sobre todos os pontos de vista e recomendamos que seja imediatamente desocupada. Aí sim o MST estará demonstrando maturidade e responsabilidade diante do processo de espera pela terra’’, afirmou Ab-Abib.
Segundo ele, as invasões como forma de pressão só estão complicando o andamento das desapropriações. ‘‘Quero deixar claro que a desapropriação é um ato de força do governo intervindo na propriedade privada. Em decorrência disso, é necessário que os trabalhos sejam feitos com a máxima atenção e não com ações impensadas’’, ressaltou.
O líder regional do MST Luiz Alonso Sales aponta uma morosidade do Incra em fazer as desapropriações e vistorias. ‘‘O processo da Fazenda Cachoeira em Jundiaí do Sul, invadida no ano passado, até hoje está parado, sendo que já foi considerada improdutiva. E assim vários casos estão parados’’, reclamou Sales. Ele admite que as invasões acontecem para pressionar o governo. ‘‘Se não invadirmos, aí que o governo nem lembra das terras improdutivas’’. Segundo Sales, existem cerca de 560 famílias de sem-terra na região.
Já para Ab-Abib, o método de invasões ‘‘caducou’’, ‘‘está ultrapassado’’. ‘‘Eu devo admitir que há 15 anos atrás a invasão teria legitimidade para despertar o governo. Mas agora está superada’’, disse. Quanto à demora nas desapropriações, o superintendente afirma que o Incra não abre mão de obter todo o rito processual para segurança no trabalho. ‘‘A noção de tempo do MST é diferente da noção que nós temos. Eles partem de uma ocupação. Antecipam fatos e depois querem que os resultados saiam conforme a imaginação deles’’, comentou.
O superintendente recomenda ainda que a reforma agrária seja observada pelos próprios assentados pelo ponto do alcance social. ‘‘É hora do assentado provar que valeu a pena. Demonstrar que sabe produzir, que existe convívio social entre eles e harmonia com o próprio município em que estão estabelecidos e não ficarem engordando outras invasões’’, recomendou.
Felicidade O proprietário da Fazenda Rincão, o pecuarista Rudolf Reich, 65 anos, está satisfeito com o trabalho do Incra. ‘‘Fiquei muito feliz com a agilidade na conclusão da vistoria. Os técnicos saíram da área na sexta-feira e ontem já me mandaram o resultado’’, disse. Para Reich, os momentos vividos durante a invasão, desde o dia 25 de fevereiro, foram os mais tensos de sua vida.
‘‘Vimos nosso trabalho de anos para conquistar o que temos prestes a perecer nas mãos de um grupo. Isso abala qualquer um’’, desabafou. Reich é considerado pecuarista modelo e melhor criador da raça Simmental no ranking nacional. A fazenda Rincão tem 600 hectares e 644 cabeças de gado misto Nelore e Simmental. Na Fazenda Três Galhos, onde reside, tem 200 cabeças de Simmental (puro origem).

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