Vistoria confirma problemas em malha ferroviária
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sábado, 22 de março de 2003
Denise Angelo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A vistoria feita por engenheiros de várias organizações da sociedade civil na malha ferroviária administrada pela América Latina Logística (ALL) confirmou que uma série de irregularidades colocam em risco o meio ambiente e os passageiros que circulam pelo trecho. O relatório dos engenheiros está com a Promotoria do Meio Ambiente.
Entre as principais irregularidades estão trilhos com juntas defeituosas; desgastes acentuados em alguns trechos; dormentes em mau estado de conservação; falta de tratamento na madeira dos dormentes, falhas de fixação de trilhos e falta de conservação de pontes metálicas. Os problemas já haviam sido apontadas em parecer da Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT).
Sobre a existência de mato ao longo da ferrovia, o presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) Raska se antecipou ao que poderia ser uma justificativa da ALL. ''A capina química estava proibida porque até agora a ALL não tinha contratado um engenheiro agrônomo que se responsabilizasse pelo uso desses produtos. Só agora a empresa está contratando um profissional e então poderemos estudar essa possibilidade'', explicou.
A comissão de fiscalização recomendou ao Ministério Público que determine, com urgência, que a ANTT faça uma nova inspeção na região, já que é desta agência a competência para fiscalizar a empresa. O promotor do meio ambiente, Saint-Clair Honorato Santos, disse que a ALL será chamada para que apresente soluções para os problemas encontrados. ''Se a ALL solicitar um prazo para atender as recomendações e se este prazo for razoável, vamos aguardar'', ponderou. Mas também prometeu que se a empresa não tomar as medidas necessárias ele pretende recorrer à Justiça para, inclusive, questionar a concessão.
Outra decisão anunciada ontem é que a ALL terá que apresentar ao MP quem são os profissionais responsáveis pelos laudos que autorizam o uso de cada trecho da ferrovia. Desta maneira, caso venha a ocorrer algum acidente que traga danos ao meio ambiente ou aos passageiros, o profissional terá que assumir a responsabilidade. ''Até agora os únicos punidos pelos acidentes foram os maquinistas. Todos eles foram demitidos'', informou Raska Rodrigues.


