Vistoria comprova problemas em abrigo
A situação aqui é terrível. Está completamente fora de um padrão mínimo de exigência. Assim definiu o médico veterinário da Vigilância Sanitária, Ademar Santos Ferreira, sobre a Casa Lar, um abrigo de idosos localizado no Parque das Indústrias, zona sul de Londrina. A Vigilância vistoriou o local a pedido do Conselho Municipal de Ação Social, depois que ex-internos denunciaram o abrigo por maus-tratos.
A Vigilância abriu processo administrativo para apurar irregularidades e deu 15 dias para que Maria José de Souza, proprietária do abrigo ao lado do marido Giacomo Aldo Bombardi, coloque a situação em ordem. Em último caso, será o promotor quem vai ter que encaminhar uma solução e dizer o caminho a ser tomado, acrescenta Ferreira. No abrigo, moram 16 mulheres e 17 homens divididos em 12 quartos - alguns deles com até sete camas. A maioria dos internos são idosos e apresentam deficiência mental.
Foram várias as irregularidades encontradas no local: adolescentes convivendo junto com idosos deficientes mentais, o que não é permitido; superlotação; falta de um profissional responsável para administrar os medicamentos dos doentes; medicamentos fortes, como psicotrópicos, guardados em local sem segurança; falta de licença para funcionamento; condições higiênicas inadequadas; e outras.
Paulo WolfgangInadmissívelAdemar Santos Ferreira conversando com um dos pacientes: A situação é terrível. O local está completamente fora do padrão mínimo exigidoPara regularizar a situação, segundo a Vigilância, seria necessário uma readequação completa do local. A começar pela contratação de médicos, psicólogos e enfermeiros para dar tratamento minimamente adequado aos deficientes mentais. Vou fazer o que estiver ao meu alcance, garantiu Maria José. Mas será que eles teriam a coragem de jogar na rua tantas pessoas? Vou lutar até o último esforço.
Maria José revelou ainda que a Casa Lar funciona na zona sul há quase três anos. É cobrado um salário mínimo por mês de cada interno e a maioria deles paga o valor através de aposentadoria. A própria dona do abrigo tira o dinheiro da aposentadoria e controla a conta da maioria dos idosos com cartões magnéticos. Ela garantiu também que mantém enfermeiro no local durante a noite - embora não soubesse dizer o nome completo do profissional contratado - e que está procurando outro enfermeiro para ficar durante o dia.
O Conselho Municipal de Ação Social já tinha visitado a Casa Lar há dois meses e ontem voltou ao local, acompanhando a Vigilância. Jolinda de Moraes Alves, membro do conselho, diz que depois da primeira visita pouca coisa mudou no abrigo. Isso daqui é um problema de saúde pública. Vamos encaminhar o caso à Promotoria e vamos ver o que é possível fazer, disse.
Ela acredita que uma saída para o caso, já que a cidade não dispõe de local público para receber os internos, é transformar o abrigo numa clínica. Em seguida, tentar encaminhar os idosos para as respectivas famílias. Jolinda Alves informou que alguns internos foram encaminhados por prefeituras de cidades vizinhas e entidades como Casa do Bom Samaritano, Asilo São Vicente de Paulo e até o Conselho Tutelar - caso de uma adolescente.
Jolinda Alves acredita que já está na hora do poder público criar um local específico para absorver essa demanda, sobretudo no caso de idosos com deficiência mental. Ela informa que a questão será discutida na próxima reunião do conselho, que ocorrerá no próximo dia 2 na Câmara.Paulo WolfgangMás condiçõesIdosos atendidos pelo Casa Lar: denúncias levaram Conselho da Ação Social a acionar a Vigilância SanitáriaLúcio Horta





