Visitas estranhas geram bafafá
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de fevereiro de 1997
Apolo Theodoro 
Paulo WolfgangAlcídia e os filhos: Até meus parentes e amigos estão proibidos de subir- Ele diz que não deixa ninguém subir no meu apartamento, e fala que todos são pilantras, prostitutas, maconheiros. Vai ter que provar. O que é isso? Até meus parentes e meus amigos estão sendo probidos de entrar no prédio!
- Andam todos de brinco, tatuados, calças cumpridas, cara de punk, uns bagunceiros. Quando vêm em turma, Deus me livre! As pessoas têm até medo de subir junto no elevador, aí reclamam comigo.
O clima anda quente no edifício Centro Comercial, área central da Cidade, ao lado da Concha Acústica, entre a moradora do prédio, Alcidia Maria Jardim e o síndico Herondino Mariano. Já tem até ação judicial, dela contra ele, por calúnia e difamação e, pelo jeito, a coisa vai ferver ainda mais.
Ontem, depois de uma discussão mais alterada, daquelas de juntar gente pra ver, entre sua filha adolescente e o síndico, Alcidia esteve na Delegacia para registrar queixa contra aquele que, segundo ela, a vem tratando com discriminação impedindo, além dos amigos dos filhos, a entrada de visitas em sua casa, inclusive parentes, a qualquer hora do dia ou da noite.
Alcidia enumera as desfeitas que vem recebendo: Hoje (ontem), uma amiga da minha filha foi impedida de subir e o porteiro ainda disse que, se tentasse, ia travar o elevador com ela dentro. Ela teve que subir pela escada. Na semana passada, travaram o elevador com meu cunhado e um amigo dentro.
Ela informa que a pressão é tanta que, na portaria, a ordem expressa do síndico para os porteiros, é: No 64 não pode subir ninguém!. A aparência estranha dos filhos e amigos, com seus brincos no nariz e orelha, roupas esquisitas de skatistas, tatuagens no corpo é, revela Alcidia, a causa de toda a implicância.
Mas, além de tentar impedir que a visitem, Alcidia diz que o síndico está se metendo em assuntos que não lhe dizem respeito, por exemplo, querendo saber como ela vive sem trabalhar. Não devo explicações, mas vou matar a curiosidade dele: vivo de uma pensão alimentícia, destaca, e continua:
Mas o que machuca é a humilhação, porteiro correndo atrás de gente pra não subir, estou me sentindo ultrajada, discriminada. Sempre morei em condomínios e nunca tive nenhum tipo de problema. O fato de ser divorciada, acredita Alcidia, está pesando na cabeça do síndico.
Quanto às reclamações, ela assegura que não permite bagunça em sua casa e nem deixa música com som elevado justamente para evitar queixas. Por isso, diz, não está mais disposta a ouvir insinuações como a que ouviu recentemente: Ele disse que sentiram um cheiro estranho vindo do meu apartamento. Aí eu perguntei se era droga, ele respondeu: É a senhora que está dizendo, não eu. Como não trabalho fora, ele anda insinuando que mexo com algo ilegal como prostituição ou drogas.
E o síndico Herondino Mariano, o que diz? Eu só falo contra a bagunça e mais nada. Jamais proibi a entrada de qualquer pessoa da família ou outras visitas. O que é proibido é a entrada de pessoas após as 22 horas. Quanto ao resto que ela disse é tudo mentira, garante Herondino.
Segundo ele, já faz algum tempo os jovens chegam em turma, na maior bagunça, me provocam, desafiam os porteiros, não querem ser anunciados, levam bebidas para cima e os demais moradores estão me cobrando por isso. Ele garante não ter nada contra Alcidia, mas admite que os amigos dos filhos dela, se chegam em turma, estão proibidos de entrar a qualquer hora.
Já pensou 8, 10 pessoas bebendo e conversando num apartamento de 2 quartos e uma salinha? Com certeza vai fazer barulho e incomodar as pessoas. Então, é preciso ter alguma regra, o direito de ir e vir é sagrado, desde que não ofenda o direito dos outros, comenta Herondino. Para ele, o fato de Alcidia ser divorciada - Aqui moram muitas mulheres sozinhas - não é problema, a bronca é outra. Ela até que é boa de lidar, mas os filhos.... Acionar a Justiça por mau uso do apartamento, é o que o síndico também está pensando em fazer caso a situação persista.


