Eles podem não se lembrar no dia seguinte ou até mesmo não reconhecer os familiares e amigos, mas uma simples visita ou um telefonema de pessoas do círculo de convivência de pacientes com Alzheimer é importante fator para a qualidade de vida e a felicidade do doente.
''Para muitas pessoas, receber o diagóstico de Alzheimer em um familiar é como uma sentença de morte e por isso tendem a tratar o doente de forma negligente, desconsiderando que a pessoa pode continuar vivendo por cinco, dez ou 15 anos'', afirma o especialista em neurologia do comportamento de Londrina, Eduardo Prado. ''Nesse momento, eu costumo perguntar aos familiares sobre como gostariam de ser tratados se estivessem na mesma situação. Com qualidade de vida, é claro. E isso pode ser proporcionado pelo convívio social'', acrescenta.
De acordo com o neuropsiquiatra, as lesões degenerativas evoluem de forma global para todo cérebro com o passar dos anos e isso ainda não pode ser estabilizado - e um telefonema ou mesmo uma visita é esquecido horas depois. Apesar disso, a presença da família e dos amigos é muito importante para ativar outras regiões cerebrais que ainda possam estar funcionando.
Além disso, Prado enfatiza que a atenção especial ajuda na melhora do estado de humor e na retenção da memória recente. ''A memória está muito ligada ao fator emocional, por isso, mesmo que o doente esqueça da visita rapidamente, aqueles sentimentos bons permanecem. E isso é fundamental para manter sua qualidade de vida e a certeza de que vale a pena continuar vivendo'', diz.
Por outro lado, o neuropsiquiata alerta que quando o idoso com Alzheimer fica a maior parte do tempo sozinho, sem o carinho e atenção necessários, ele passa a se sentir triste e frustrado, mesmo que não se lembre ou não saiba exatamente o motivo. ''Embora o fim para todos esses pacientes seja o mesmo por ainda não existir a cura, a caminhada é diferente e pode evitar muitas complicações de saúde para a pessoa'', destaca o médico. ''Se ela se sente feliz, todo o seu organismo funciona melhor.''
Entre as recomendações do especialista para familiares e cuidadores, estão, além das visitas, que o doente realize atividades físicas e passeios ao ar livre. ''É preciso também manter, ao máximo, as atividades que antigamente lhes dava prazer, de acordo com o estágio da doença. Ele pode fazer um curso de artes ou aprender a tocar um instrumento musical. Tudo isso estimula o cérebro'', observa.

Imagem ilustrativa da imagem Visitas beneficiam pacientes com Alzheimer
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