Visitantes levavam droga para detentos
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sábado, 03 de maio de 2003
Agência Estado 
São Paulo A saída de dezenas de ônibus que levam familiares e amigos para visitar detentos em presídios do interior do Estado foi barrada, anteontem à noite, na Capital, por uma blitz envolvendo cerca de 60 policiais militares. Na esquina das avenidas Marquês de São Vicente e Ordem e Progresso, na Barra Funda, os ônibus foram um a um sendo vistoriados e seus passageiros, revistados. Foram encontradas porções de maconha, cocaína e crack, além de aparelhos celulares. Trinta e sete pessoas foram autuadas em flagrante no 23º DP (Perdizes) e no 93º DP (Jaguaré).
Em todas as sextas à noite, as imediações do Terminal Rodoviário da Barra Funda são tomadas por grande quantidade de ônibus fretados e as calçadas se enchem de ambulantes que vendem alimentos, objetos de higiene pessoal, cigarros e outros produtos que irão compor os chamados ''jumbos'' que os visitantes levam para detentos. Além de atender às necessidades pessoais dos presos, muitas vezes esses pacotes lhes garantem a vida, pois é com esses produtos que muitos pagam a proteção contra violência sexual, espancamento e até a morte.
Uma das passageiras dos ônibus, a auxiliar de limpeza Neli Liliam da Silva, de 29 anos, que ia visitar o namorado no presídio de Mirandópolis, estava portando uma porção de crack. Três porções de cocaína foram encontradas com Lucimara Aparecida Rodrigues, de 24 anos, que ia visitar o marido na mesma cadeia.
No banheiro de um ônibus da Viação Buzão, que se destinava a Getulina, região de Araçatuba, foram encontradas três porções de maconha e um pacote com 23 papelotes de cocaína. Como nenhum passageiro assumiu a culpa, os 33 foram detidos para serem ouvidos no 23º DP.
Como a delegacia de Perdizes estava lotada, duas ocorrências foram encaminhadas para a do Jaguaré. Adriana Bezerra dos Santos, de 20 anos, apesar de estar desempregada, portava dois aparelhos celulares, o que levou os policiais a suspeitar que seriam entregues a seu namorado, que cumpre pena por sequestro na penitenciária de Martinópolis.


