Visita íntima para presos gays é reinvindicada também no PR
Dimitri do Valle
De Curitiba
Se em Pernambuco os presos têm autorização do governo para ter relacionamento sexual com os namorados durante sessões de visita, no Paraná o panorama é oposto. O presidente do Grupo Dignidade, Toni Reis, diz que os homossexuais são proibidos de entrar nos presídios do Estado para manter relações sexuais com seus parceiros. Se os heterossexuais podem, porque os homossexuais não podem?, questiona.
Um fato que marcou a proibição no Paraná foi registrado há dois anos. O operário C.F.S., 33 anos, deu um beijo num detento que namorava há quatro anos. O gesto aconteceu na Prisão Provisória do Ahú, em Curitiba. Resultado: o presidiário ficou dez dias na solitária e foi transferido para o manicômio judiciário para dificultar os encontros.
Foi o preconceito. O pessoal deveria ter uma cabeça mais aberta para o assunto, diz C.F.C.. O operário cita que não existem meios legais de privar duas pessoas de namorarem. Desde que o relacionamento venha de algum tempo, acho justo alguém continuar vendo o seu parceiro, reivindica. C. acredita que no caso dos homossexuais existem dois pesos e duas medidas. Para comprovar, ele relata que existem casos de presos que pagam garotas de programa para não ficar sem sexo.
O Departamento Penitenciário Nacional (Depen), órgão do Ministério da Justiça, emitiu em maio passado uma portaria que permite semanalmente uma visita íntima da esposa ou companheira do detento. Com a demissão do coordenador geral do Depen no Paraná, Cezinando Paredes, a Folha não encontrou quem pudesse falar sobre a questão no Estado. Em Pernambuco, as portas das cadeias foram abertas para os namorados dos presos, como mostrou o programa Fantástico, da Rede Globo, no domingo passado. O caso de Pernambuco é uma vitória, comemora Toni Reis.
No Paraná, o presidente do Grupo Dignidade acha que uma medida semelhante está longe de ser concretizada. O secretário José Tavares (Justiça) tem bom senso, mas acho que a reação seria contrária, mais difícil. Somos um Estado muito conservador, mas nada é impossível, comenta. É preciso que os homossexuais denunciem para podermos defendê-los, ressalta.





