Londrina – Em vez de medicamentos, injeções e resultados de exames, os médicos trouxeram presentes e um pequeno momento de descontração. Os doutores Lambreta e Ritalino surpreenderam as crianças do Hospital Infantil de Londrina que, aos poucos, foram contagiadas pela alegria da dupla de palhaços.
Uns reagiram com timidez. O pequeno Andrey Eduardo Souza, de 4 anos, se escondeu com vergonha dos médicos palhaços e da equipe de assistentes sociais. "Esse é o chamado ‘comportamento termômetro’. É normal. É quando as crianças se escondem embaixo do ‘sovaco’ da mãe", diagnosticou Ritalino. Andrey recebeu o presente, mas continuou usando a mãe como escudo.
A alegria se espalhou pelos corredores do hospital. Miguel Aparecido Gobi, de apenas 1 ano, sorriu ao receber a pequena almofada decorada, mas, na hora da foto, um quase choro afastou a dupla de palhaços. A mãe Renata Gobi agradeceu a visita. "Estamos desde sexta-feira passada aqui. É uma rotina bem cansativa. Eu não saio de perto dele. O Miguel vai fazer uma cirurgia no coração amanhã (hoje). Como a família não vem sempre, quando esse pessoal chega é mais confortante. A gente esquece todos os problemas", confessou.
Lambreta cuida dos pacientes há cinco anos e Ritalino começou a fazer parte da equipe há três. Os dois estão acostumados aos tratamentos contra "chulé encravado", "grilo na cuca", "parafuso solto", "engolimento de sapos" e "transfusão de milk shake". Os médicos palhaços especializados em "besterologia" cuidam também dos pais. Jéssica de Paula Herdt, mãe da Monique Santana, de 5 meses, está longe de casa há 51 dias. "É bem cansativo, mas estamos bem", contou um pouco mais animada.
O paciente Gabriel Pereira Esteves, de 8 anos, levantou-se da cama e, mesmo preso ao soro, caminhou até o corredor com o livro nos braços. "Eu gostei muito do livro. Foi bem legal hoje", disse envergonhado. Gabriel pediu uma foto com os palhaços e adorou a visita.

HUMANIZAÇÃO
A dupla foi até o Hospital Infantil acompanhada de integrantes do grupo Lado a Lado, responsável pelo serviço de visita hospitalar da Unimed. Crianças atendidas pelo SUS também receberam a visita dos profissionais. A assistente social do Hospital Infantil, Melissa Fernanda Faria, afirmou que a alegria e o otimismo podem fazer toda a diferença durante o tratamento dos pacientes. "Passar essas datas internado é muito triste. A gente sabe também que tem muitas crianças carentes de outras cidades que talvez nem iriam receber esses brinquedos. Com certeza essa visita faz a diferença na vida delas", lembrou.
A assistente social Tânia Cristina Pedro, integrante do grupo Lado a Lado, destacou que as atividades ajudam a humanizar o atendimento. "Essas visitas são feitas diariamente, mas a programação especial é feita apenas nas datas comemorativas. A internação já traz muita ansiedade, muito desconforto e esse tipo de ação ameniza a dor, mesmo que por pouco tempo", explicou. Até sexta-feira, 150 pacientes de hospitais de Londrina, Cambé, Rolândia e Arapongas receberão a visita especial e os presentes em homenagem ao Dia das Crianças.

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