Um pedido de mais esclarecimentos sobre complicações cirúrgicas ocorridas no Hospital Universitário (HU) de Londrina se transformou em um grande tumulto ontem à tarde. A direção chegou até a solicitar a presença de polícias militares, o que revoltou o grupo de 12 moradores do Conjunto Aquiles Stenghel (zona norte), que há duas horas esperava ser recebida pela direção do hospital. O objetivo da visita era entregar ao diretor-clínico do HU, Sinésio Moreira Júnior, um documento requerendo mais explicações sobre o caso do servidor público José Carlos Fortunato, 32 anos, que há sete meses foi internado no hospital para uma intervenção cirúrgica no ouvido e acabou saindo inválido. Os moradores representavam o conselho de saúde do bairro, onde Fortunato mora.
Depois de muita confusão, o superintendente do hospital, Francisco Eugênio Alves de Souza, concordou em receber a todos os integrantes do grupo na presença da imprensa. Até esse momento, mais de quatro tentativas haviam sido tentadas pela assessoria do hospital, sem sucesso. Desde o início, o hospital se recusava a atender todo o grupo e a imprensa, alegando falta de espaço físico.
Na reunião, realizada em uma ampla sala, com mesa de reunião com 11 lugares e mais sete cadeiras sobressalentes, a comissão também solicitou que o hospital forneça os remédios necessários, cadeira de rodas e andador adequados, carro para transporte do paciente e prioridade em consultas. ''O Fortunato está praticamente abandonado; não está recebendo a assistência adequada e queremos providências. Não sabemos o que realmente aconteceu, mas uma coisa é certa: ele entrou bem e saiu inválido e totalmente dependente do hospital'', declarou a irmã do servidor, Alice Carvalho Franco.
Alice também relatou que a família, que é bastante humilde, está enfrentando dificuldades para conseguir os remédios. Antes desse problema, Fortunato era praticamente arrimo da família. Ele trabalhava durante o dia como cozinheiro do Restaurante Universitário da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e, à noite, em uma pizzaria.
O superintendente do HU, Francisco Eugênio Alves de Souza, inicialmente, discordou das solicitações, dizendo que elas já estavam sendo ''totalmente'' atendidas, mas que iria fazer uma nova averiguação sobre essas providências.
A presidente do conselho de saúde, Maria Giselda de Lima, disse que apesar do clima tenso, a reunião foi válida. ''Pelo menos, começamos a ser ouvidos. Aguardamos semana que vem uma reunião com a comissão de ética e a diretoria clínica'', disse.
Recentemente, a Comissão de Ética do HU divulgou relatório parcial informando que ''há indícios de que houve infração ética''. A conclusão parcial foi encaminhada para a Promotoria de Direitos Constitucionais, que também investiga o caso e para o Conselho Regional de Medicina (CRM). O hospital aguarda conclusão do processo para tomar medidas administrativas.

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