O sub-comandante do 5º Batalhão de Polícia Militar (5º BPM) de Londrina, Major Altivir Cieslak, recebeu ontem na sede do comando a mãe de Jamys Smith da Silva, 20 anos, morto na madrugada do último domingo depois de ser espancado por policiais militares no Jardim Santa Fé (Zona Leste). A visita da doméstica Sueli Aparecida de Paula Teodoro abriu a série de depoimentos que a PM pretende fazer para investigar a morte do jovem e foi acompanhada pelos promotores Susana Lacerda, da 1 Vara Criminal de Londrina, e Leonir Batisti, da Promotoria de Investigações Criminais (PIC). Ainda na manhã de ontem, o major também colocou o cargo à disposição do comando geral da PM no Estado.
Sueli foi recebida pelo major na porta do Batalhão, onde ouviu um pedido formal de desculpas pela morte do rapaz. ''Este é um procedimento inadmissível e está totalmente fora dos padrões da PM do Paraná'', disse Cieslak à mãe de Jamys, que estava acompanhada somente por alguns vizinhos do bairro, como o carregador Osnir Alves, que trazia consigo o cacetete utilizado pela PM para destruir o aparelho de som do jovem. ''Decidimos adiar a manifestação que programamos para hoje (ontem) porque muitos não poderiam vir. Vamos trazer a comunidade do Santa Fé para o Batalhão na quinta-feira'', afirmou.
O depoimento de Sueli durou cerca de uma hora e, segundo Cieslak, deve ser acrescentado ao inquérito policial militar (IPM) que investiga os soldados Marcos Aurélio da Silva Barbosa e Juliano Ferraz Dias. Parte do depoimento foi acompanhado pelos promotores Leonir Batisti e Susana Lacerda, presentes no 5º Batalhão à convite do sub-comandante. ''Com base nos depoimentos, nos laudos de necropsia e das viaturas, vamos definir se os soldados responderão ao crime de lesão corporal seguida de morte ou homicídio doloso (quando o autor tem a intenção de matar a vítima)'', explicou a promotora.
No caso de condenação, as penas para os crimes podem variar de 4 a 12 anos, no caso de lesão corporal, ou 6 a 20 anos para homicídio. Em qualquer um dos casos, os soldados serão julgados pela Justiça comum. ''O crime foi de um PM contra um civil e, tendo esta natureza, a competência é da justiça comum desde 1997'', afirmou o promotor.
Até o final da tarde de ontem, 23 integrantes da PM de Londrina, direta ou indiretamente envolvidos na morte de Jamys, foram afastados da corporação, por determinação do secretário de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari.
Em uma decisão anunciada como pessoal, o substituto natural para o cargo - Major Cieslak - colocou o cargo à disposição. ''É uma decisão de foro íntimo, de lealdade e de ética. Obedecerei à qualquer determinação da secretaria. Mas se eu fosse consultado acerca de minha vontade de assumir o comando, minha resposta seria não'', resumiu o major.

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