Visão crítica sobre a realidade dos jovens
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quarta-feira, 17 de março de 2010
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Gravidez na adolescência, drogas, violência, preconceito. Tão presentes no cotidiano dos jovens moradores das regiões periféricas dos grandes centros urbanos, esses temas também fazem parte da rotina dos 730 alunos que frequentam as aulas do programa Projovem Urbano em Londrina. Antes de começarem o curso, eles não refletiam sobre as consequências desses problemas sociais na própria vida.
Seis meses após iniciarem o programa, porém, passaram a ter uma visão crítica sobre essa realidade, inclusive com perspectivas de fugir do destino imposto pela situação de vulnerabilidade em que vivem. Hoje, a partir das 19 horas, no Centro Municipal de Educação Infantil Valéria Veronesi - Supercreche (Área Central), os resultados do primeiro semestre de aulas vão ser mostrados em cinco seminários montados para a disciplina de Participação Cidadã.
''Discriminação e Violência'', ''O Jovem e a Dependência Química'', ''A Sexualidade dos Jovens'', ''Projovem na perspectiva dos alunos'' e ''Meio Ambiente'' são os nomes dos trabalhos que serão apresentados com recursos como datashow, teatro, música, palestra com convidados, maquetes e depoimentos.
Vanessa Prestes, 19, é uma das alunas que falará sobre dependência química. Mãe de duas crianças, ela afirma que as aulas do programa trouxeram a possibilidade de voltar a ter sonhos e planos. ''Antes, ficava restrita ao meu mundinho particular, cuidando dos meus filhos'', afirmou a moça, que sonha ser médica. ''Vou tentar conseguir o certificado do Ensino Médio pelo Enem e me inscrever num cursinho. É dificil, mas tenho esperanças de conseguir.''
Como ela, a maioria das alunas tem trajetórias que incluem gravidez na adolescência, abandono da escola e a consequente falta de perspectivas.
As trajetórias das moças mostram que elas deixam a escola por causa dos filhos e retornam em nome de um futuro melhor para eles. ''Depois que minha filha nasceu, passei a querer algo maior. Quero dar um bom exemplo'', disse Elisângela Maximiano, 24.
Esse é também o objetivo das outras estudantes. ''Não queremos ver nossas crianças no mesmo caminho. E nós mesmas somos novas e podemos deslanchar'', afirmou Vanessa. Érika Cristina Dalbello, 28, que tem quatro filhos, planeja cursar a faculdade que, antes, era uma perspectiva impossível. ''Minhas crianças estão se dedicando mais à escola, depois que comecei a estudar.''
Todos os alunos do grupo conhecem alguém próximo que já teve envolvimento com drogas. ''Infelizmente, em muitos casos, o vício começa dentro de casa. As crianças vêem o pai fumar maconha ou beber e acham que aquilo é normal'', opinou Vanessa. No seminário, um colega que já enfrentou o vício vai dar um depoimento. ''Ele vai explicar como normalmente ocorre o primeiro contato com as drogas. As famílias têm medo de falar sobre o tema''.
Na programação, Paulo Otávio Urias, 19, e Tiago de Moura, 18, integrantes do grupo ZNB, que significa Zona Norte Breakers, farão um show de hip hop. ''Queremos mostrar que os jovens podem gostar de rap, hip hop e danças e levarem uma vida normal, indo à escola, à igreja e trabalhando.''
A turma de João Paulo Gonzales, 19, e Franciele Neves Santana, 19, falará sobre ''Discriminação e Violência.'' Eles programaram um espetáculo cênico com frases de impacto e um clipe com imagens globais sobre o tema. ''Roubo, tráfico, violência, crianças usando drogas são coisas que acontecem muito perto da gente, mas antes do projovem, não prestávamos muita atenção.''
A discriminação é outro tema que permeia a vida dos jovens, mesmo que de forma velada. Franciele contou que já enfrentou cara feia e zombaria quando foi fazer entrevistas de emprego, por causa do bairro onde mora. ''Deixaram de me contratar por preconceito. A desculpa é que minha casa ficava muito longe.'' Com as aulas, ela se sente mais preparada para lidar com essa realidade. ''Agora sei o quero e estou pronta para encontrar meu caminho.''


