Com a disseminação da Aids, as doenças sexualmente transmissíveis, antes conhecidas como ‘‘doenças venéreas’’, parecem problemas de fácil solução. O avanço da ciência, no entanto, tem causado efeito colateral no comportamento das pessoas. ‘‘A Aids merece estar em destaque, mas existem outras DST provocadas por vírus que colocam a vida em risco e têm como único tratamento a prevenção e o diagnóstico precoce’’, alerta o médico ginecologista Marcelo Agudo Carvalho de Mendonça.
Atualmente o grande vilão é o Papiloma Vírus Humano (HPV). Mas os vírus da hepatite B e C também estão entre os transmissíveis sexualmente, por sangue ou derivados. Os três vírus podem provocar câncer e levar a morte. Em 95% dos casos de HPV a transmissão é pelo contato sexual. O médico explica que cerca de 90% dos casos de câncer de colo de útero são provocados pelo HPV. O vírus também ataca o homem e estudos apontam a possibilidade dele estar ligado a casos de câncer no pênis.
Mendonça esclarece que existem vários tipos de HPV. ‘‘Todos provocam alterações nucleares (NIC), mas nem todos resultam em câncer. , informa. Ele afirma que das mulheres portadoras de HPV que apresentam alteração nuclear, cerca de 20% mantém o quadro e 30% evoluem para o câncer de colo de útero. O restante apresenta cura espontânea.‘‘Exames periódicos e um acompanhamento correto podem evitar que o quadro evolua para um câncer’’, enfatiza.
O ginecologista esclarece que o prazo de incubação do HPV pode variar de sete dias a oito meses após a contaminação. Mas a evolução de alterações nucleares (NIC - neoplasia intra-epitelial cervical) para o câncer pode chegar a 30 anos. Estudos mostram que a pessoa é contaminada pelo HPV na juventude; entre os 25 e 39 anos, começam a apresentar alterações nucleares. O aparecimento do câncer de colo de útero acontece normalmente a partir dos 40 anos.
Acompanhando o aparecimento destas doenças, o exame Papanicolau - raspagem das células epiteliais do colo do útero - evoluiu passando a ser mais profundo. As novas formas de coleta do material possibilitam o exame de um maior número de células e um diagnóstico mais preciso. Exames específicos garantem ainda identificar o tipo de HPV e, dependendo do caso, o médico pode iniciar um tratamento preventivo antes de qualquer sinal da doença.
Mendonça diz que apesar das campanhas periódicas realizadas pelo poder público, sobre o câncer de útero, o índice de casos diagnosticados tardiamente - quando a doença já está instalada - em alguns lugares do Brasil, chega a ser quase nove vezes maior que o americano. No Nordeste, cita, 90 a cada 100 mil mulheres apresentam câncer de colo de útero. No Rio Grande do Sul o número cai para 34 a cada 100 mil mulheres e no Paraná ele estima que deva estar em cerca de 40 casos para cada grupo de 100 mil mulheres. Nos EUA o índice é de 14.
‘‘Infelizmente nem sempre a assistência médica é acessível. E muitas pessoas ainda continuam sem saber da importância do exame preventivo’’, comenta. Ele orienta as pessoas que puderem a tomar vacina contra a hepatite B. ‘‘Já tem vacina. Não tem porque correr o risco de desenvolver câncer de fígado por hepatite B’’. Quanto a hepatite C que também pode levar ao câncer, diz, a única forma de prevenção é o uso de preservativo nas relações sexuais e cuidados de quem manipula sangue e derivados.

mockup