Virose pode contaminar Bacia do Prata
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quinta-feira, 08 de junho de 2000
Paulo Pegoraro De Cascavel 
A mortandade de peixes no Rio Iguaçu avança gradativamente, seguindo o curso das águas, e pode chegar à Bacia do Prata, entre Argentina e Uruguai, caso uma virose que atacou cardumes não seja extinta. A espécie atingida é a carpa, classificada como exótica por não ser natural da ictiofauna de rios, mas criada em açudes. A virose, denominada primaveril, é específica da carpa. Por isso, outras espécies não são contaminadas. O Iguaçu nasce na região de Curitiba e deságua no Rio Paraná, que, juntamente com os rios Uruguai e Paraguai, forma a Bacia do Prata, que deságua no Atlântico.
O biólogo Luiz Augusto Marques Ludwig, que chefia a área de meio ambiente da Copel e tem experiência de 20 anos em aquicultura, disse ontem à Folha que a virose pode ter se disseminado a partir de um açude de carpas localizado no município de União da Vitória. A origem da contaminação ainda está sendo investigada pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP).
Todo o plantel teria sido afetado. Muitos peixes morreram e os que ainda estavam vivos foram despejados em um afluente do Iguaçu. Isso teria ocorrido ainda no ano passado e o vírus foi se espalhando. Os peixes apareceram boiando inicialmente no reservatório da Hidrelétrica de Foz do Areia, e a seguir nos demais, até chegar agora a de Salto Caxias. A mortandade aparece mais nos reservatórios por causa das águas paradas.
Segundo o biólogo Luiz Ludwig, a possibilidade da virose continuar avançando em direção à Bacia do Prata é condicionada ao tempo de vida do vírus e às condições ambientais dos rios. Não é possível estimar a quantidade de peixes mortos, mas presumivelmente é uma muito grande, já que moradores ribeirinhos têm comunicado o aparecimento de peixes boiando em vários pontos, disse.
A constatação da virose foi feita a partir de exames de peixes moribundos recolhidos e é possível que muitos consigam sobreviver à contaminação. Técnicos do IAP estão alertando os ribeirinhos para que evitem comer as carpas que encontrarem por precaução, embora a maioria das doenças que afetam peixes não seja transmissível para seres humanos.


