Ser uma simples dona-de-casa ou um médico parece não fazer diferença quando o assunto é dar nome às doenças caracterizadas por coriza, mal-estar, febre e diarréia. ''Virose'' é o termo utilizado e que entra na moda quando o frio começa a chegar, até porque sugere uma gama tão grande de doenças que fica difícil errar no diagnóstico. A facilidade em apontar o mal que acomete geralmente as crianças, no entanto, não se repete na hora de tomar atitudes quanto ao tratamento, quando, na verdade, tais doenças são mais facilmente tratáveis do que os sintomas podem sugerir.
O nome virose tem realmente caráter genérico, como explica a pediatra infectologista Jaqueline Dario Capobiango, professora do Hospital Universitário (HU). ''Viroses são todas as infecções respiratórias ou gastro-intestinais provocadas, obviamente, por vírus'', afirma. ''Como exemplos, podemos citar rinite, faringite, otites ou até mesmo a gripe'', cita.
Os sintomas são basicamente os mesmos para todas estas doenças. ''Estas infecções geralmente provocam coriza e obstrução nasal, náuseas, dores musculares e febre, o que podemos chamar de sintomas sistêmicos'', enumera a pediatra.
Apresentando parte destes sintomas, a pequena Giovana, de apenas 8 meses, forçou a dona de casa Ermelinda Vigilante Generoso, mãe da criança, a levá-la a um posto de saúde há alguns dias. Com febre alta e sem conseguir dormir, a menina foi atendida por um médico que receitou apenas um antitérmico para o bebê. ''Sei que é uma coisa simples. Só a levei ao posto porque fiquei preocupada com a febre'', explicou.
O procedimento é prática comum e recomendada pela pediatra, que avisa: diagnosticar uma doença como virose não implica em falta de conhecimento quanto ao problema. ''Este termo é usado devido à não necessidade de se identificar exatamente qual vírus provocou a infecção. Esta identificação seria cara e não mudaria a forma de tratamento'', garante Jaqueline. ''Existem mais de 200 tipos de vírus com potencial para viroses e destes, cerca de 20 são muito comuns'', completa.
Repouso e hidratação com muito líquido são as recomendações feitas pela pediatra para o tratamento das viroses. ''O repouso serve para o sistema imunológico se recompor, enquanto os líquidos ajudam a fluidificar as secreções nasais. Não é recomendável oferecer nenhum remédio, a não ser um simples antitérmico e analgésicos, para aliviar o mal-estar. Toda doença provocada por vírus obedece a um ciclo de cerca de uma semana e os remédios não vão alterar este período em nada'', afirma.
Depois de curado, o paciente deve evitar aglomerações ou outros lugares onde os agentes das infecções têm um bom ambiente para se espalhar. ''Por isto a chegada do inverno traz consigo o aumento no número de casos. Com o frio, as pessoas tendem a ficar mais próximas, aumentando os riscos de contaminação'', diz a médica.
As chances são poucas, mas também há a possibilidade de as viroses abrirem portas para infecções mais sérias. Um exemplo é o da pequena Camilly, de 2 anos, que há alguns dias precisou visitar o HU para tratar de uma infecção no ouvido, provocada pela virose. ''Ela teve febre, tosse e laringite e está ruim há duas semanas. Começou a melhorar depois que visitamos o médico'', contou a mãe, a empregada doméstica Edna Machado.
Neste caso, Jaqueline recomenda exatamente a atitude tomada por Edna. ''Há a necessidade de se procurar um médico quando o quadro não melhora em dois ou três dias e evolui para uma infecção mais séria'', diz. ''Aí sim um antibiótico pode ser receitado. Para as viroses simples, no entanto, o repouso e a hidratação simples são suficientes'', afirma.

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