Rafael Snak, 15 anos, é guitarrista de uma banda de post metalcore em Londrina. Seu maior fã é seu pai, o agropecuarista Cezar Walmor Souza. ''Aprendi a ser roqueiro por causa do meu filho'', brinca.
Souza conta que decidiu mudar-se com a esposa e os dois filhos de São Paulo para o Paraná, ''com o objetivo de ser feliz''. ''Trabalhava numa multinacional na capital paulistana e tinha pouco tempo para dedicar aos meus filhos. Aqui em Londrina, tornei-me mais participativo.''
Tão participativo que não basta levar o filho para a balada. Ele assiste todos os shows da banda e de tanto participar do cotidiano dos meninos até fez amizade com alguns deles. ''No começo não concordava, achava mico ter meu pai no show, mas hoje é normal. Ele conhece meus amigos e todos gostam dele'', declara Rafael.
Depois de ouvir o som do filho, Souza, que já tinha um espírito aventureiro, abraçou o rock. Ele diz que aprendeu com Rafael a história de bandas das quais nunca tinha ouvido falar antes e que hoje já sabe diferenciar um estilo de rock do outro. ''No início, eu queria convencê-lo a tocar músicas que tinham mais a ver com meu estilo, mas depois percebi o quanto o público da banda gostava das músicas deles'', recorda.
''Me surpreendi com o ambiente dos shows, que não tem bebida, nem drogas. Até passei a admirar o bate-cabeça. Entendi que é apenas uma expressão corporal do público para mostrar interação com a banda. Passei a respeitar a tribo dele'', completa Souza.
Após os ensaios, Rafael e sua turma montam na caminhonete do pai para tomar lanche. ''A condição para o Rafa participar da banda é ir bem nos estudos. Dá para fazer tudo, mas ele não pode perder o foco, que é a formação dele'', diz Souza, ressaltando que o filho mais velho, Daniel, 18, é o oposto do caçula. ''Enquanto o Rafa é dedicado à música, o Daniel só pensa em estudar.'' (M.G.)

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