Os centros urbanos concentram problemas complicados. Portanto, exigem soluções igualmente complexas. A avaliação é do geógrafo Francisco de Assis Mendonça, professor titular da Universidade Federal do Paraná (UFPR), responsável pela palestra de abertura do 2º Seminário Nacional sobre Regeneração Ambiental das Cidades, ontem, na Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Ele proferiria a palestra ''O Paradigma Sócio-ambiental Urbano: Conjecturas e Desafios à Cidade do Futuro.'' O tema central do evento são as Águas Urbanas. Um problema, segundo Mendonça, que só existe porque é um recurso natural cuja escassez afeta a sociedade.
''O problema da água não existe por si só, mas porque afeta a sociedade. A água só tem importância porque é importante para a sociedade'', explica o professor. Na avaliação dele, Londrina, a exemplo de outras cidades, possui rios urbanos de baixa qualidade. E as saídas para a questão das águas urbanas dependem de atuação conjunta do poder público, profissionais especializados e comunidade em geral.
Os caminhos apontados pelo especialista incluem educação e conscientização ambiental e fiscalização dos órgãos competentes. Iniciativas que seriam suficientes para melhorar a qualidade dos rios a médio prazo.
O professor defende que soluções ambientais e sociais precisam caminhar juntas. Principalmente porque mais de 50% da população mundial vive nas cidades, o que resultou no crescimento dos centros urbanos e dos problemas. Só que grande parte dos gestores municipais não têm essa visão mais ampla.
A consequência dessas adversidades pode refletir no âmbito social. Uma forma é a violência, que explode em locais com grandes adversidades ambientais, econômicas e sociais.
Mendonça exemplifica: ''Ao ficar parado num tráfego intenso, sob forte calor, qualquer pessoa se irrita. Então não dá para negar que as condições ambientais acirram o desenvolvimento de crises sociais.'' Ele acrescentou que pesquisas mostram que a temperatura em barracos cobertos com telhas de amianto pode atingir até 71 graus. ''Numa situação dessa o nervosismo e os conflitos são potencializados'', acrescentou.
A saída apontada pelo professor é o combate à desigualdade social, uma vez que a disparidade em Londrina é semelhante à do restante do País. E como essa diferença pode ser combatida? ''Através de investimento nos locais onde moram os mais pobres e de investimento em educação e cidadania. A situação da cidade hoje é doentia e patológica'', arrematou. E a receita de cura para essa doença inclui remédios específicos para os distúrbios econômicos, sociais e ambientais.

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