Antes restritas às grandes capitais brasileiras, as práticas criminosas ganharam espaço também no interior e continuam se diversificando

Não é só a possibilidade de acidentes que tem preocupado o londrinense que circula de carro pela cidade. De uns tempos para cá, o motorista que enfrenta as ruas de Londrina diariamente ganhou uma preocupação extra: os assaltos e sequestros-relâmpagos registrados nos semáforos, os quais têm feito vítimas com frequência cada vez maior. O número de ocorrências desse tipo somam mais de dez nos últimos dois meses, segundo a Polícia Militar. O medo já fez até o comportamento no trânsito mudar.
Antes restritas às grandes capitais brasileiras, as práticas criminosas contra motoristas ganharam espaço também no interior. Mais ainda por causa da disseminação dos condomínios fechados. Por contarem com forte esquema de segurança muros altos, arames farpados e cerca elétrica , os assaltantes mudaram suas estratégias.
Vítimas que nem sempre sobrevivem para exigir justiça. Na noite do dia 28 de julho, o técnico em informática Fábio Yokio Koizumi, 31 anos, estava a um quarteirão de casa, num cruzamento da avenida Leste-Oeste (Centro), quando dois motociclistas pararam ao seu lado. Quando o rapaz tentou escapar foi atingido por um tiro fatal. A família tenta entender o que aconteceu. ''A violência cresceu muito na cidade. O Fábio até costumava fazer uns caminhos diferentes mas não adiantou. É tudo muito triste'', lamentou o irmão, Adilson Koizumi, 33.
Até quem mora em cidades menores não está a salvo. Na última terça-feira, faleceu no Hospital Universitário (HU) de Londrina, Alexandre Gabriel dos Santos, 24. Ele havia sido sequestrado por um grupo de cinco adolescentes ao parar num semáforo no centro de Arapongas no dia 17 e teve que dirigir até Londrina, onde foi ferido por cinco tiros.
Diante da violência urbana, o londrinense decidiu se prevenir. Suzete de Oliveira disse que sempre que sai de carro mantém os vidros fechados. Ilana Barbosa se arrisca a furar o sinal à noite por causa do risco de assaltos. ''Procuro passar mais rápido, dependendo do horário'', comentou. Uma adolescente que seguia para um condomínio na Zona Sul lembrou uma precaução da família: ''Minha mãe sempre fala para o motorista andar com os vidros fechados''.
O relações-públicas da PM, tenente Ricardo Eguédis, recomendou outros cuidados: travar as portas, não exibir nem deixar objetos de valor ou bolsas aparentes, não estacionar em local ermo, não ficar conversando dentro do carro à noite. Eguédis orientou que quem presenciar ações de assaltantes no trânsito deve anotar detalhes do veículo e acionar a PM pelo 190.

mockup