Um estudante é assassinado ao reagir a assaltantes. A polícia encontra o corpo de um homem esfaqueado até a morte para ter o carro roubado. Um jovem morre numa briga por causa de uma roda de bicicleta. Três suspeitos de furto quase são linchados por uma multidão furiosa.
Tudo isso aconteceu em menos de 12 horas, entre a noite de domingo e a manhã de ontem. Tudo isso aconteceu em Londrina. Não há relação direta entre os fatos, mas pode-se pensar numa raiz comum para eles. Talvez sejam a prática do que tanto se discutiu durante toda a semana passada, no 1º Congresso Paranaense de Criminologia: a violência é consequência da miséria, do consumismo, da falta de políticas públicas e da perda de valores como solidariedade. Uma sociedade doente para a qual, sentenciaram os especialistas, grades e leis não são o remédio.
Se fossem, poderíamos respirar aliviados com a prisão dos suspeitos do latrocínio de Sebastião Marcos Pereira, 42 anos, encontrado morto com vários ferimentos de faca na rodovia Mábio Gonçalves Palhano (Zona Sul de Londrina), na noite de domingo. Antes mesmo da descoberta do corpo, os dois suspeitos do crime já haviam sido encontrados em Cambé (13 km a oeste de Londrina). Diego Alves, 18 anos, foi detido com o veículo Audi e um celular da vítima. De acordo com a polícia, Diego seria garoto de programa e conheceria a vítima. O latrocínio teria sido premeditado por ele e por Nilton César Ferreira, 23 anos, achado em um motel de Cambé.
Já os assaltantes que tiraram a vida do estudante Gabriel Rezende Marques Guimarães, 20 anos, não haviam sido identificados até a tarde de ontem. Aluno do 1º ano do curso de Arquitetura da Universidade Filadélfia (Unifil), Gabriel estava curtindo um som no carro com dois amigos na Avenida Higienópolis, na praça ao lado do Mercado Guanabara (Zona Sul), quando dois rapazes deram voz de assalto ao grupo. Amigos do estudante contaram que ele teria duvidado que o revólver apontado para sua cabeça fosse de verdade. Reagiu e levou três tiros. Os ladrões fugiram levando seu veículo Mazda e seu sonho de ir para os Estados Unidos.
''É a banalização total da vida. O corpo do rapaz estirado no chão e as pessoas bebendo no bar ao seu redor'', assinalou o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP) de Londrina, Jurandir Gonçalves André.
O comentário poderia igualmente servir para a morte de Carlos Henrique Barbosa Rodrigues, 23 anos, assassinado a facadas também na noite de domingo, no Conjunto Tito Carneiro Leal (Zona Sul). Segundo o delegado de Homicídios da 10 SDP, Joaquim Mello, o crime foi consequência de uma briga, cujo motivo seria ''uma roda de bicicleta''. O suspeito foi identificado, mas não havia sido localizado até ontem. Rodrigues, conhecido como ''Indinho'', tinha passagens por furto e roubo. Mais um personagem de uma história onde vítimas e algozes já não se distinguem.

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