Violência prejudica negócios na periferia
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sexta-feira, 18 de março de 2005
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
A frequencia de assaltos a estabelecimentos comerciais, vendedores e distribuidores de produtos, principalmente em bairros da periferia, está criando uma situação que pode colaborar para gerar mais violência na cidade: a contratação de seguranças. Pequenos comerciantes e donos de empresas distribuiras de produtos também estão pedindo apoio da Polícia Militar (PM) para garantir a entrega de produtos em locais considerados mais perigosos. ''Sempre sofro pequenos assaltos e por isso decidi colocar seguranças nos caminhões. Às vezes, peço escolta da PM, quando tenho que ir a bairros das zonas Leste e Norte'', conta o gerente de uma empresa, que pediu anonimato. Um outro comerciante, vendedor de uma distribuidora de cigarros, garante que não usa armas mas que vai reagir se for abordado. ''Trabalho com vendas há três anos e nunca fui assaltado. Mas se um dia acontecer, eu garanto que não vou ficar quieto'', afirma Alessandro Espinardi.
Bairros como o Conjunto Jamile Dequech (Zona Sul), Jardim João Turquino (Zona Oeste) e Assentamento São Jorge (Zona Norte) são as localidades onde os assaltos a distribuidores de produtos são mais frequentes. A situação é confirmada pela pequena empresária Sandra Crispin dos Santos, dona de uma pequena padaria em um bairro da Zona Sul da cidade. ''Os assaltos às distribuidoras são realmente frequentes. Vendedores de doces e bebidas, por exemplo, passaram a andar acompanhados por seguranças e as distribuidoras de embalagens já nem vêm mais aqui'', conta.
Sandra não sabe dizer com garantia se os tais seguranças andam armados, mas especula: ''Tenho quase certeza que sim. Usam roupas folgadas e, além do mais, o que poderão fazer contra um assalto se não tiverem uma arma?'', pergunta.
Frente à falta de segurança para trabalhar, tanto empresários como distribuidoras buscam alternativas para continuar atuando. Sandra, por exemplo, pede que as entregas de embalagens sejam feitas na padaria do sogro, localizada no Conjunto São Lourenço (Zona Sul). ''Tenho que ir até lá para buscar. É a única escolha, pois se consigo uma entrega aqui, os preços geralmente são até R$ 3,00 mais altos por pacote'', diz.
Ainda de acordo com a empresária, os assaltos a caminhões geralmente acontecem na via de acesso ao bairro, que é ligado à PR-445 somente por uma rua. De acordo com Espinardi, isso facilita a ação de marginais. ''Parece uma armadilha. Todo mundo tem que parar antes de entrar na rodovia, e é neste momento que os menores agem. Eu mesmo já vi um caminhão de bebidas ser assaltado por dois menores, mas não pude fazer nada'', conta.
A situação é semelhante para o dono de um pequeno mercado no Jardim João Turquino. De acordo com Valdir Ferreira, distribuidoras de alimentos e bebidas chegam a negar a entrega de mercadorias no bairro. ''Alegam claramente que têm medo de assaltos''.
Consultado pela reportagem da Folha sobre a situação destes bairros, o delegado chefe da 10 Subdivisão Policial (10SDP) de Londrina, Jurandir Gonçalves André, citou fatos ainda piores no dia-a dia de trabalho dos funcionários de empresas de distribuição, o que foi confirmado por moradores do Assentamento São Jorge. ''Há um ano, alguns caminhões só entravam aqui depois do pagamento de 'pedágios' aos marginais. Se não, eram assaltados'', lembra o dono de um mercado do bairro, Leandro de Souza Eufrasino.


