O analfabetismo é um mal que atinge, de acordo com o Censo de 2000, perto de 7% dos londrinenses. A exemplo do restante do País, a maior incidência é observada em bairros periféricos, pobres e violentos. E é justamente a violência um dos fatores que dificultam que esse quadro seja revertido.
O Programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA), mantido pela administração municipal, seria uma alternativa para levar conhecimento para essas localidades. Seria, se a violência em bairros como os conjuntos Novo Amparo (Zona Leste) e os jardins União da Vitória (Zona Sul) e São Jorge (Zona Norte) não assustasse os professores.
Atualmente, o Novo Amparo e o União não contam com turmas do projeto. No São Jorge, são duas professoras, e há espaço para mais uma. ''A verdade é que em locais violentos os professores não querem ir, especialmente à noite'', comenta a gerente do EJA, Elaine Fátima Souza de Carvalho. Ela acrescenta que a maior parte do público do programa é de donas-de-casa acima de 50 anos. Noventa por cento dos alunos estudam à noite. A preferência pelo período, no entanto, tem gerado transtornos, como a dificuldade para arrumar professores para bairros considerados perigosos.
Na Escola Municipal Atanázio Leonel, no Jardim São Jorge (Zona Norte), há vagas para três professoras. Mas só duas trabalham no local atualmente para alfabetizar jovens e adultos à noite. Luciah Maria Borges Baú e Maria Salete Grzeca atendem perto de 40 alunos.
A primeira dificuldade é fácil de ser constatada. Na mesma sala de aula, os estudantes são separados em dois grupos - e recebem atendimento diferenciado - por estarem em níveis diferentes de aprendizagem.
Outra adversidade, de acordo com as professoras, é o grau de dependência dos alunos. A maior parte é formada de mulheres, acima de 50 anos. ''Elas ficam inseguras o tempo todo. O maior problema não é o tempo para estudar, que elas têm, mas a falta de confiança'', explica Maria Salete.
Tanto ela quanto Luciah Maria dizem que é necessário ter bastante paciência para trabalhar com adultos, mas os resultados são gratificantes. ''Se a gente disser uma coisa que não os agrade, eles não vêm mais. Temos que ter muito cuidado'', diz Luciah.
As professoras garantem que não têm medo de trabalhar no São Jorge. Para Maria Salete, existe muito preconceito contra a localidade. ''Sai muita coisa na mídia sobre o bairro que deixa as pessoas preocupadas. Mas eu nunca tive problema''.

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