Centenas de pessoas participaram de uma passeata no centro da cidade
Centenas de pessoas participaram de uma passeata no centro da cidade | Foto: Gina Mardones - Grupo Folha

O mês de maio ganhou a cor amarela para chamar a atenção de toda sociedade sobre a violência no trânsito. Somente em 2018, em Londrina, foram registrados 4.500 acidentes e 83 pessoas perderam a vida. “Esse alto número de acidentes demonstra um potencial de óbito muito grande. Vale lembrar ainda que muitas pessoas podem ter tido sequelas, o que compromete a vida toda", diz o coordenador de Educação da CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização), Carlos Eduardo Ribeiro.

Neste ano, o movimento Maio Amarelo tem como tema “No trânsito, o sentido é a vida” e, para marcar o início das atividades em Londrina, centenas de pessoas participaram de uma caminhada, na manhã de quinta-feira (2), no Calçadão. Elas carregaram cartazes, faixas e bexigas amarelas.

A caminhada teve a intenção de lembrar os mortos e feridos nas ruas da cidade. “É uma manifestação pela vida e uma forma das pessoas demonstrarem que estão preocupadas com a realidade do trânsito”, comenta Ribeiro. Ao longo do mês, haverá fiscalizações por toda a cidade, passeio ciclístico e ações educativas.

Entre os participantes, estava Irma Mendes Dias, 69. Ela já perdeu um irmão e um filho, em datas diferentes, mas ambos por acidente de carro. “Não tem como dizer o que é perder um filho. Ele tinha 30 anos e até hoje eu penso que ele está viajando", desabafa, ressaltando a violência nas ruas. "A gente vê acidente toda hora”.

Das 83 mortes no trânsito de Londrina, metade era de motociclistas. Tal fato demanda uma atenção especial para esse grupo de condutores, e a história de Claudines Bartolomeu, 48, é um exemplo do quanto a imprudência no trânsito pode impactar vidas. Em 1991, ele foi vítima em um acidente com moto no jardim Bandeirantes (zona oeste). “Um veículo cruzou a preferencial e me acertou. Tive uma lesão raquimedular e perdi todos os movimentos do pescoço para baixo. O motorista estava alcoolizado”, lembra.

Desde então, Bartolomeu é assistido pelo ambulatório de fisioterapia neurofuncional da UEL (Universidade Estadual de Londrina). O docente e fisioterapeuta Roger Burgo de Souza diz que atualmente são 80 cadeirantes acompanhados no ambulatório, sendo 80% vítimas de acidentes de trânsito. “Nós temos pessoas como o Claudines, que são acompanhadas há muitos anos”, afirma.

Também fisioterapeuta e professora na UEL na área de Saúde Coletiva, Celita Salmaso Trelha, acrescenta que a maioria das vítimas de acidentes de trânsito é jovem, do sexo masculino e em idade produtiva. “Temos casos de fraturas de fêmur até lesões que podem levar à tetraplegia. Hoje estamos aqui com os alunos do curso porque nosso trabalho também é fazer prevenção”, destaca.

IDOSOS

Outro grupo que esteve presente na caminhada foram os idosos. De acordo com a CMTU, das 83 mortes no trânsito no ano passado, 22 foram atropelamentos, sendo 12 vítimas acima de 60 anos. Nos dois primeiros meses de 2019, o órgão registrou três atropelamentos, com duas vítimas idosas.

Como prevenção, Olga Ortega Oliveira, 86, diz que espera o semáforo fechar e abrir novamente para então atravessar a rua, sempre na faixa de pedestres. “Uso muletas e ando devagar. Desse jeito, tenho certeza que vou ter tempo suficiente para atravessar com mais segurança”.

A abertura do Maio Amarelo contou com a presença também da Polícia Militar, Guarda Municipal, grupos das UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e alunos da Escola Municipal Eugênio Brugin.

BOLSÕES PARA MOTOS

A FOLHA acompanhou a votação na Câmara Municipal de Londrina, na terça-feira (30), que resultou na aprovação do projeto de lei que prevê a implantação de “bolsões” de proteção para motociclistas. A ideia é sinalizar espaços exclusivos nas vias para que os motociclistas se posicionem à frente dos demais veículos durante a espera pela abertura do semáforo. De acordo com o autor da proposta, o vereador Jairo Tamura (PR), são 80 mil motos no trânsito de Londrina e a prioridade seria implantar os "bolsões” em cruzamentos com maior índice de colisões entre carros e motos.

O porteiro Cláudio Rodrigues, que tem um carro e uma moto, gostou da notícia. “Acho bacana qualquer ação que possa ajudar a melhorar a convivência entre motociclistas e condutores de carros. Mas a questão da educação é de cada um. Para mim, o grande problema é a pressa. Tem muita gente que trabalha de moto e acaba se arriscando no trânsito porque depende do tempo e isso envolve todos que estão nas ruas”, responde.

A CMTU emitiu um parecer contrário à tramitação do projeto de lei, alegando que a competência para legislar sobre o trânsito é do Contran (Conselho Nacional de Trânsito). O coordenador de Educação da CMTU, Carlos Eduardo Ribeiro, comentou que não existe nenhum estudo conclusivo sobre a eficiência desses “bolsões”, e argumentou que, ao mesmo tempo que pode ser uma alternativa, pode gerar situações como ultrapassagem pela direita ou mesmo pelo acostamento para acessar esses espaços. “É cedo falar se é eficiente ou não”, diz.

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