''Estou feliz porque meu filho está vivo e tenho que tentar ser forte diante desse sofrimento. Mas sinto uma grande revolta por ser de uma classe pobre e ver quem fez isso nem ligar só porque é da classe rica.'' Assim, num desabafo comum a qualquer mãe ''machucada'', que a cozinheira Rosângela Gordiano Rodrigues, 39 anos, procurou a Folha para pedir a ajuda para o filho, o garçom Leandro Rodrigues Alves, 22 anos, vítima de um acidente de trânsito no dia 10 de agosto. Com a violência do choque, ele teve de amputar parte da perna direita e a família precisa de ajuda. Uma ajuda que os familiares do motorista adolescente envolvido no fato até o momento não ofereceu.
Leandro passou cinco dias desacordado num leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e só na última quinta-feira recebeu alta para voltar para casa. Mas ainda sente muitas dores e continua sob efeitos de medicamentos. Ele contou que no dia do acidente tinha saído do hotel onde trabalhava, no Centro da cidade, e seguia para casa em sua moto. À 0h40, quando atravessava o semáforo da Rua Pernambuco com a avenida JK, um adolescente de 17 anos que dirigia um Mercedes Benz E-320, da cor preta, em alta velocidade teria desrespeitado o sinal vermelho e o atingiu em cheio. O veículo só parou quando bateu no muro de uma revendedora de veículos e o adolescente que estava na direção ficou preso nas ferragens. Já Leandro teve parte da perna direita esmagada e, posteriormente, teve que fazer uma amputação logo abaixo do joelho.
Por causa das sequelas do acidente, a mãe de Leandro teve que deixar o emprego para cuidar do filho e a família agora passa por dificuldades. Os pais do adolescente que teria provocado o acidente poderiam ajudar mas, segundo Rosângela, eles nem chegaram a fazer contato para saber qual era o estado de saúde do garçom. ''Meu filho me ajudava muito. Agora, eu estou sem emprego e ele também sem nada. Não tem cadeira de banho, muleta, nada disso. Sorte que os amigos dele têm me ajudado a levá-lo ao médico e mais algumas outras coisas que ele precisa'', afirmou a mãe. O caso está sendo acompanhado pelo advogado Celso Aldinuci, conhecido da família.
Procurado pela reportagem, o pai do adolescente que dirigia a Mercedes disse, através de uma empregada, que não iria dar nenhuma declaração sobre o assunto.

Serviço : Quem quiser ajudar o garçom, pode entrar em contato com Rosângela pelo fone (43) 9102-8032.

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