Omissão, negligência ou dolo. Esses são os delitos em que o governo do Paraná poderia ser enquadrado, na visão do advogado argentino Eugenio Raúl Zaffaroni, que vai atuar como acusador no tribunal. Diretor do Departamento de Direito Penal e Criminologia da Universidade de Buenos Aires, Zaffaroni disse não estar surpreso com a violência no campo adotada no Paraná e no restante do Brasil. Para ele, é preciso que o Ministério Público investigue e indicie os mandantes do crime.
Folha – Existe algo em comum entre crimes ocorridos no Paraná?
Eugenio Zaffaroni – A ação dos jagunços e a ineficiência da polícia em investigar os crimes e punir o mandantes são iguais em todos os crimes. É preciso analisá-los juntos para verificar que existe um mapa institucional da violência.
Folha – E o governo tem impedido a violência?
Zaffaroni – No começo, o governo pode ser negligente em um caso de violência. Mas, se deixa passar vários, ele se torna deficiente e omisso. Se houver mais de um caso de omissão, a situação permite falar em dolo. Mas no Paraná essas falhas se repetiram, o que permite dizer que é uma política governamental. (I.R.)

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