Violência policial, preconceito, desemprego. Esses foram alguns dos problemas discutidos ontem de manhã no Jardim Nossa Senhora da Paz (zona oeste de Londrina), durante uma reunião que teve a participação de moradores e representantes das secretarias de Ação Social e Saúde, Polícia Militar (PM), Coordenadoria da Mulher, Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi) e associações de moradores de bairros próximos.
Essa foi a segunda reunião realizada com o objetivo de encontrar uma solução para a violência no bairro, que tem sido notícia por causa dos frequentes disparos e assassinatos que acontecem ali. No mês passado vários disparos ameaçaram a vida de crianças e funcionários do projeto Viva Vida, da prefeitura, aterrorizando os moradores. A situação ficou tão violenta que chegou a se cogitar no fechamento do Viva Vida. No entanto, moradores, polícia e prefeitura decidiram manter o projeto funcionando.
Durante a reunião, os moradores reclamaram muito da violência da polícia. Os policiais xingam a gente'', denunciou uma moradora. ''Batem nos adolescentes, chutam, mesmo depois que eles estão dominados, algemados e de cara no chão'', denunciou uma moradora.
O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Rubens Guimarães, ouviu as queixas e defendeu a atuação da polícia: ''O excesso da polícia é em função da falta de apoio da comunidade. Temos pedido que vocês nos ajudem a pôr os marginais para fora do bairro e isso não acontece. Nisso a comunidade é culpada'', criticou.
Comandante Guimarães justificou o rigor nas revistas feitas no bairro explicando que os traficantes escondem droga até dentro do sapato. A polícia lembrou que as denúncias podem ser anônimas, através do telefone 161 (PM) ou 147 (Polícia Civil).
Os moradores falaram também sobre o preconceito. ''Nenhum entregador vem até aqui, nem para entregar remédio. As pessoas têm medo de entrar no nosso bairro'', reconheceu uma mulher. ''Eu nasci e me criei neste lugar. Antigamente, a gente brincava na rua o tempo todo. Hoje em dia tenho que manter meus filhos fechados em casa. Precisamos mudar essa realidade'', desabafou outra moradora.
Os problemas e as necessidades da Jardim Nossa Senhora da Paz são muitos para serem discutidos numa só reunião. Os moradores marcaram para a próxima semana mais um encontro no mesmo local, o Colégio Marista. Da próxima vez eles querem organizar comitês para trabalhar com cada uma das questões principais apontadas nas últimas duas reuniões.

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