'Violência no feriadão foi coincidência'
Silvana Leão
De Londrina
O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Londrina, tenente-coronel Sílvio José Mazalotti de Araújo, acredita que a onda de crimes vivida nos últimos dias na cidade foi algo atípico. Estamos encarando como uma coincidência os vários assassinatos ocorridos em um mesmo dia, que não retratam a situação normal, disse. De sexta até terça-feira ocorreram o sequestro e assalto à empresa de transporte de valores Proforte; quatro assassinatos, diversos assaltos, um atropelamento com morte, um desbaratamento de quadrilha e várias apreensões de menores. Além disso, várias pessoas foram internadas nos hospitais vítimas de agressão física.
Mazalotti afirmou que a PM vem agindo com rigor no combate à violência e lembrou que, paralelamente aos crimes, a polícia vem efetuando prisões diariamente. Para o comandante, o efetivo existente hoje na PM não é o ideal, mas também não está tão defasado. Ele explicou que as cidades do porte de Londrina ou maiores estão passando por uma explosão de violência, e a grande preocupação da PM é trabalhar para que estes índices não cresçam ainda mais.
Na opinião do presidente da Câmara de Vereadores de Londrina, Renato Araújo, porém, se a coisa continuar do jeito que está, logo a comunidade vai começar a promover represálias, fazendo justiça com as próprias mãos, e aí será o caos. Araújo afirmou que vai defender na sessão de hoje da Câmara o envio de requerimento em caráter de urgência ao Secretário de Segurança Pública do Estado, Cândido Martins de Oliveira, e ao governador Jaime Lerner pedindo mais segurança para o município.
A sugestão do vereador é que seja dado um prazo de 10 dias para que o Estado tome alguma providência. Não estamos pedindo que haja um policial em cada casa, mas sim um patrulhamento ostensivo, que iniba a ação dos marginais, nos moldes do que é realizado em Curitiba. Para Araújo a PM de Londrina conta com viaturas insuficientes para realizar um policiamento preventivo. Outro problema, aponta, é o grande número de policiais fora das ruas, realizando trabalhos burocráticos.
O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial (SDP) de Londrina, Wanderci Corral Fernandes, explicou que a Polícia Civil está cumprindo a sua parte, que é investigar todos os fatos ocorridos.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Valter Orsi, também demonstrou preocupação com o feriado violento. O atual momento social gera instabilidade, desencadeando a onda de crimes, mas entendemos também que é preciso uma participação mais efetiva da sociedade para minimizar as dificuldades.
Para Orsi o poder público municipal tem um importante papel no sentido de não criar falsas expectativas em relação ao município através dos meios de comunicação. Londrina tem vendido a imagem de melhor cidade do Brasil para se morar, e isto tem um forte efeito sobre as pessoas em situação de desespero, que acabam vindo para cá e aumentando os bolsões de miséria do município, afirma.
O presidente do Conselho Comunitário de Segurança de Londrina, Newton Carlos Moratto, ressalta que a entidade vem alertando há tempos sobre a falta de segurança vivida no município e o perigo que isto pode representar para a comunidade. Não podemos simplesmente nos apegar à falta de recursos e ficar de braços cruzados. Ele lembrou, porém, que o conselho não tem função policial, e sim de promover discussões e servir de interlocutor entre comunidade e autoridades.
O promotor Paulo Tavares, da Promotoria de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais, disse que tudo o que está ao alcance do Ministério Público vem sendo feito. Foram enviados ofícios à Casa Civil, cobrando definições sobre o término das obras da Cadeia Pública; à Polícia Civil reivindicando a contratação dos policiais civis aprovados em concurso e não contratados. Estamos esgotando os recursos disponíveis na esfera administrativa.
Para Mário Shibazaki, integrante da comissão dos aprovados em concurso da Polícia Civil em 1997 e não contratados até agora, o pequeno efetivo da polícia e sua consequente ineficiência é um dos fatores do aumento da criminalidade. Ele lembra que é a Polícia Civil que faz as apurações das infrações penais, e as não-averiguações funcionam como um incentivo à violência.
Shibazaki explica que Londrina conta com apenas 12 investigadores atuando nas ruas, sendo que após as 18 horas ficam apenas dois de plantão, para atender uma população de mais de 500 mil habitantes. Segundo ele, entre os problemas de caixa do Estado e os vividos pela população com a falta de segurança, estes últimos devem ter prioridade.A afirmação é do comandante do 5º BPM, Silvio José Mazalotti, que considerou atípico o índice de crimes registrado em Londrina
Arquivo FolhaEXPLOSÃO DE VIOLÊNCIAO comandante Mazalotti: A PM vem agindo com rigor no combate ao crimeReproduçãoFotos feitas pelos sequestradores de reféns no cativeiro em Londrina





