Violência no campo será lembrada
A violência no campo também deve ser alvo de debates na Romaria da Terra. Em 97, o Paraná registrou 72 conflitos agrários que envolveram 7.149 famílias acampadas em 152.456 hectares de terra. Em se tratando de ações policiais, os representantes da Pastoral da Terra têm restrições ao procedimento do governo do Estado e da Polícia Militar em operações de desocupação.
Tenho uma séria crítica ao uso da polícia na ação dos despejos, diz o advogado Darci Frigo. Ele entende que pode não haver mudanças nesse comportamento em situações futuras. A gente não vislumbra mudanças na política de segurança pública no trato com os problemas sociais, acrescentou. Frigo afirmou que os camponeses que ocupam fazendas são vistos pela polícia como guerrilheiros ou terroristas.
Para sustentar as declarações, Darci Frigo lembrou da desocupação da fazenda Santa Gertrudes, no município de Mariluz, na madrugada de 9 de julho quando o interesse da opinião pública estava direcionado para a final da Copa do Mundo. Frigo disse que as famílias de agricultores brasiguaios tiveram furtados cerca de R$ 90 mil por parte de PMs. Frigo lembrou que a desocupação foi feita por volta das 3h10 da manhã, mas os oficiais de Justiça certificaram no processo que o despejo aconteceu por volta das 6h10.
Foi montado um esquema de terror, como se os policiais fossem combater guerrilheiros, descreveu Frigo. Para Dom Ladislau Biernaski, o governo parananense sempre teve a boa vontade de ouvir as reivindicações dos agricultores sem-terra, mas que isso nunca representou avanço nas negociações. Houve compromissos, mas nos finalmentes nada aconteceu, afirmou.(D.V.)





