Violência lota maior cemitério de Londrina
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quinta-feira, 26 de setembro de 2002
Renê Muller<BR>Reportagem Local 
A cada cinco dias, o Cemitério Jardim da Saudade tem sido o cenário de um dos mais tristes momentos do cotidiano da Londrina de hoje: o enterro das vítimas da violência urbana. Das 103 pessoas mortas em homicídios ocorridos na cidade em 2002, 76 foram sepultadas no local.
O ritmo de sepultamentos realizados ali, o maior entre os cinco cemitérios da Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf), está obrigando a autarquia a aumentar a área do Jardim da Saudade, o que deverá ser feito com a desapropriação de 9 mil metros anexos ao local.
Até mesmo seus funcionários estão sendo sensibilizados pelo ritmo de extermínio e pela juventude das vítimas: apenas 15 vítimas que descansam no Jardim da Saudade tinham mais de 30 anos. Humberto Conceição Pereira, 23, disse que o clima costuma ser muito mais pesado e triste nos sepultamentos dos jovens que perderam a vida para o crime. ''Nós estamos acostumados, mas dá pra sentir a dor dos pais e dos irmãos dos mais novos'', disse Pereira, que há oito anos trabalha no local.
Pereira contabiliza ter enterrado mais de vinte assassinados neste ano. A última foi Jefferson Pennas, de 21 anos. Encontrado baleado na Rua Brasílio Machado, em Vila Marísia (área central), morreu no Hospital Universitário (HU), na madrugada de domingo.
A família do rapaz preferiu abreviar a dor. ''O enterro ia acontecer segunda-feira, mas resolveram enterrar já no domingo mesmo'', recordou. Na terça-feira à tarde, alguns vestígios da despedida ainda estavam sobre a terra, como uma faixa de condolências, remexida pelo vento, e a cruz, que destaca o barro da sepultura de um canteiro qualquer.
E é justamente o barro que diferencia a situação do local. Wilson Battini, superintendente da Acesf, diz que o cemitério é o que mais cresce devido ao esgotamento dos demais para o sepultamento em terra. ''Os outros só têm vagas em carneiras, que saem caro para a maior parte das famílias dos falecidos, de origem humilde. Eles vão para o Jardim da Saudade, onde ainda há espaço para o sepultamento em terra'', esclareceu o superintendente.


