Especial para Folha
Desagregação familiar, aumento do número de favelas e desemprego. Estas podem ser algumas causas que contribuem para elevar em 35% o índice de criminalidade juvenil, somente este ano, em Curitiba. Os dados, levantados pela Delegacia do Adolescente mostram que infrações como roubos à mão armada não páram de crescer. Em 1996, foram identificados 115 infrações, enquanto que em 1997, o número subiu para 202. Entretanto, outros comportamentos infracionais bastante praticados por adolescentes, entre 12 e 17 anos de idade, são furtos e falta de habilitação, responsáveis por 38,6% e 15,8%, respectivamente, do total de casos apurados.
De acordo com Francesco Serale, diretor do Instituto de Ação Social do Paraná, apesar da capital paranaense ser uma cidade bonita e agradável para se viver, a população não pode se esquecer que o crescimento populacional pode aumentar a criminalidade entre os jovens. O levantamento realizado pela Delegacia do Adolescente mostra que dos 2.363 menores que passaram pela instituição no ano passado, cerca de 70% disseram já ter experimentado substâncias tóxicas, sendo a maconha, a mais usada. Além disso, quase 90% dos infratores são do sexo masculino e cerca de 60% concentram-se na faixa etária entre 16 e 17 anos.
Para Charis Negrão Tonhozi, delegada titular da Delegacia do Adolescente de Curitiba, mesmo com os índices de criminalidade aumentando em Curitiba, é possível reverter a situação. Para isso, o trabalho de prevenção deve ser concentrado na área educacional, conscientizando melhor os pais sobre a importância de manter os filhos na escola. ’’Uma vez mantidos na escola, os adolescentes ficariam distantes das ruas‘‘, diz. Tonhozi lembra ainda, que o problema atinge toda a população e depende dela também a solução.
Eleições - Um dado bastante curioso apontado pela delegada Tonhozi indica que na época das eleições o número de infrações de adolescentes diminui significativamente em Curitiba. Segundo ela, é neste período que os menores têm mais ocupação, seja com panfletagens pela cidade ou com outros trabalhos temporários oferecidos por políticos.
O levantamento aponta também que em setembro de 1997 foram apuradas 321 ocorrências, enquanto que no mesmo mês, deste ano, véspera de eleições, foram verificadas 197 infrações. ’’Não que seja melhor indicado os menores trabalhando em panfletagens, mas certamente ajuda a ocupar melhor os adolescentes que vivem em condições de risco‘‘, afirma ela.

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