Violência infanto-juvenil é debatida em Ibiporã
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sábado, 14 de maio de 2005
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
''Não basta deixar as crianças na escola, é necessário capacitação adequada a quem lida com elas''. A afirmação é da promotora de Justiça da Vara da Infância e Juventude de Curitiba, Maria Tereza Uille Gomes, que visitou ontem a Redação da Folha, acompanhada da promotora de Justiça de Ibiporã, Révia de Luna, e da presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente da cidade, Nádia de Moura. Maria Tereza fará uma palestra amanhã, às 9 horas, em Ibiporã, abordando ''A Educação e o Combate à Violência'', tendo como base uma pesquisa recente feita pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) em 30 países da Europa e dos Estados Unidos.
O levantamento da Unesco apontou que pelo menos 2% das crianças e adolescentes que não frequentam a escola estão envolvidas em algum tipo de delito grave, como homicídio ou tráfico de drogas. É também esse grupo que concentra o maior índice de dependentes químicos. Entre os demais 98% que estão na sala de aula, há desde alunos que tiveram algum problema com a polícia até os que já partiram para a agressão contra o professor.
Mestranda em Educação, Maria Tereza explicou que, na Capital, uma parceria entre o MP, o Poder Judiciário e a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) tenta combater a violência entre crianças e adolescentes por meio da reinserção imediata deles ao meio escolar. Um dos instrumentos para isso, conta a promotora, é a elaboração de um questionário encaminhado aos poderes municipal e estadual. É a partir dos resultados desse documento que se estabelecerá um plano de ação continuada de avaliação dos programas sociais existentes hoje para esse público-alvo. ''A idéia é mapear esses programas e fazer um diagnóstico. Hoje a grande falha é a Promotoria ter de intervir sem ter em mãos esse diagnóstico'', comentou Maria Tereza. ''Mas a proposta é também que se faça uma avaliação da instituição de ensino entre alunos, professores e funcionários.
Sobre o debate de setores da sociedade a respeito da redução da maioridade penal atualmente em 18 anos , a promotora diz ser ''contra e a favor''. ''Discordo da redução, mas é bom isso vir à tona para que se debata o aumento da internação em Educandários, cujo tempo máximo hoje é de três anos'', apontou.
O evento integra o 1º Seminário de Combate à Violência contra a Criança e o Adolescente, realizado o dia todo em Ibiporã (14 km a leste de Londrina), no Teatro Padre José Zanelli (Centro). O seminário é gratuito e aberto a Ministério Público (MP), escolas, conselhos tutelares e à população em geral.


