Violência gera manifestação por paz
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segunda-feira, 24 de novembro de 2003
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
Vítimas de espancamento enquanto caminhavam na pista do Lago Igapó 1 (área central de Londrina), há duas semanas, os estudantes Josenir Lopes Dettoni, 25 anos, e Roger Saldanha, 28, resolveram promover uma manisfestação pela paz no mesmo local das agressões. O ato não conseguiu chamar a atenção de muita gente pouco mais de 30 pessoas pararam para ouvir os manifestantes mas serviu para lembrar as autoridades municipais e estaduais sobre a falta de segurança e abandono do local.
Enquanto tocavam música e distribuíam mudas de pitanga para os que passavam, Lopes e Saldanha contavam a insólita história que os levou a promover a manisfestação pela paz no Lago Igapó. Lopes disse que, em um domingo, enquanto caminhavam pela pista, ciclistas corriam entre os pedestres, ''tirando 'finas' das pessoas'', explicou. Numa das manobras, Lopes foi atropelado e a bicicleta, danificada. ''Depois de perceber que sua bicicleta tinha quebrado, o ciclista queria me obrigar a pagar os prejuízos'', contou Lopes. ''Como me neguei a pagar, eles (que estavam em seis) nos agrediram e nos jogaram no lago. Tivemos que nadar até o Iate Clube para evitar mais agressões'', recordou, quase rindo, o estudante. ''Eles ainda vieram atrás da gente nadando, mas os seguranças do clube os impediram de nos pegar.'' Lopes diz não ter registrado queixa contra os ciclistas por não ter testemunhas da agressão.
O fato causou revolta entre os amigos de Lopes e Saldanha, que então resolveram se manifestar, no mesmo dia da semana e hora do acontecimento. ''Sabíamos que só tínhamos duas opções: ficar em casa calados ou vir a público cobrar atitudes da prefeitura e do governo do Estado'', afirmou, resignado, Lopes.
Durante o espancamento, Lopes e Saldanha pediram ajuda para os pedestres, mas não foram atendidos. ''Percebemos que as pessoas estavam com muito medo. É por isso que acreditamos que o efetivo policial nessa região deve aumentar'', apontou Lopes, lembrando casos de estupro e assaltos já ocorridos no Igapó 1. Usando um megafone, Saldanha aproveitava para apontar os montes de lixo acumulados nas margens do lago, com latas, garrafas e peixes mortos. ''É aterrorizante saber que pessoas nadam ou comem os peixes que conseguem pegar nessa água poluída''. Durante a manifestação, banhistas com jet-skis procuraram a reportagem da Folha para denunciar focos de poluição no lago. ''A maior parte da sujeira vem do outro lado da Avenida Higienópolis'', disse um dos banhistas.
O aumento do efetivo policial foi cobrado não só pelos manifestantes como pelos usuários da pista do lago. O representante comercial Rudimar Nunes reclama da presença de grupos de jovens de posse de cachorros agressivos no lago. ''Realmente falta policiamento aqui'', apontou. Já a dona de casa Geni Ferreira de Jesus conta que foi salva de uma tentativa de assédio sexual por sua cadela vira-latas. ''Tinha um homem abaixando as calças e me ameaçando. Soltei minha cadela em cima dele e ele saiu correndo'', contou.


