Violência gera debate entre profissionais
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quinta-feira, 13 de julho de 2000
Érika Pelegrino De Londrina 
Muitos casos são difíceis de comprovar, outros nem sempre são denunciados. Mesmo sem números que demonstrem a real dimensão do problema, a violência contra a criança e o adolescente vem preocupando profissionais que atuam diretamente com menores. Foram denunciados ao Conselho Tutelar, entre os meses de janeiro e março deste ano, 46 atos violentos contra crianças e adolescentes cometidos por pais, reponsáveis, policiais e outros.
Hoje, um grupo de profissionais promove na Associação Médica de Londrina, na Praça 1º de Maio, centro de Londrina, um debate sobre a violência doméstica cometida contra menores. Estes profissionais 11 no total, entre assistentes sociais, médicos, psicólogos estão fazendo um curso de especialização sobre o assunto na Universidade de São Paulo (USP).
O debate faz parte de um trabalho exigido no curso, explica a assistente social Silvia Colmán, uma das alunas. Na ocasião será exibido um vídeo que mostra um caso de violência contra criança e adolescente e na sequência será realizado o debate.
Os alunos irão apresentar uma pesquisa feita por eles com base nos prontuários do Conselho Tutelar, na qual constataram que a violência doméstica é praticada em vários âmbitos: psicológico, da negligência, sexual e físico, entre outros. Em linhas gerais, Silvia Colmán afirma que em Londrina os casos mais denunciados são os de negligência e violência psicológica.
Muitas vezes os casos de negligência, segundo ela, são cometidos em decorrência da condição social e econômica. Silvia Colmán cita as situações em que para trabalhar os pais são obrigados a deixar seus filhos sozinhos em casa. Muitas vezes os pais ficam entre a cruz e a caldeirinha: ou saem para trabalhar e deixam seus filhos sozinhos, ou ficam em casa com eles e passam fome.
Deixar de alimentar e de vestir os filhos também são casos de negligência que muitas vezes são impostos pela condição econômica. A quantidade de denúncias de violência psicológica surpreendeu Silvia Colmán. Segundo ela, são muitos os casos que se enquandram neste tipo de violência: castigos, crianças e adolescentes submetidos a ameaças e que são usados pelos pais em casos de separação.
O abuso sexual é um tipo de violência que, segundo Silvia Cólman, não é possível avaliar quantitativamente. Ela explica que dificilmente a ocorrência é denunciada. A pesquisa feita pelos alunos do curso da USP revelou também o problema de falta de estrutura que órgãos como o Conselho Tutelar enfrentam. As condições precárias impedem a aferição das denúncias.
Muitas vezes não é possível comprovar os casos de violência física por falta de pessoal para ir ao local assim que a denúncia é feita, explica. Se uma criança está sendo agredida pelos pais ou responsáveis só é possível comprovar se o caso for flagrado.
A sugestão e orientação que os alunos do curso de especialização da USP recebem é para criar uma rede de denúncias e aferição no município. A rede, segundo Silvia Colmán, iria treinar profissionais que atuam diretamente com crianças e adolescentes para identificar os casos e encaminhá-los. Parte dos alunos do curso são integrantes de outro grupo que está trabalhando na criação de uma organização não-governamenal (Ong) de combate à violência cometida contra menores. O evento de hoje acontece às 19h30 e tem entrada aberta para todos os interessados.


