De acordo com a coordenadora do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas 3), Josiani Nogueira, a violência física é tida como socialmente aceitável e o resultado da agressão depende da condição emocional de quem está batendo. ''Uma pessoa estressada pode desencadear uma violência muito grande'', afirma. Dos 1.198 casos em andamento até dezembro de 2011 na instituição, 267 são de violência física, todos com autores intrafamiliares.
Segundo a assistente social, uma criança de dois anos e meio é muito ligada aos pais, mesmo em situações de violência, porque essa é a referência que ela tem. ''Não cabe à criança escolher se fica ou não em casa, é uma relação de afetividade. Quando recebemos esses casos no Creas avaliamos se a mãe é acolhedora, se cuida da criança. Realizamos uma conversa envolvendo vários órgãos e explicamos que caso ela queira ficar com o filho, deverá não ter mais contato com o pai da criança. Ela tem que escolher entre um e outro'', explica. Nesses casos eles são encaminhados para casa de parente ou em abrigos. Em Londrina há unidades especializadas em atender mães e filhos com pais violentos.
Josiane reforça a importância de afastar a criança de um pai agressor. ''Na maioria dos casos o autor é a mãe, mas os casos envolvendo os pais são os mais graves, por causa da força física'', alerta. No caso da mãe que presencia a violência e não interfere, a especialista explica que ela pode ser processada como cúmplice.
A grande luta dos serviços, de acordo com ela, é que casos de violência física sejam denunciados e que seja feito o boletim de ocorrência. ''Foca-se na proteção da criança e esquece-se de autor.'' De acordo com ela, a tendência é que haja um aumento das denúncias daqui para frente, com mais penalizações, para só então daqui a muitos anos os casos começarem a diminuir. ''É muito difícil saber qual caso é grave e qual não é, deve-se denunciar todos'', ressalta.

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