Londrina – Denúncias de agressão física e psicológica chegam com frequência à equipe da Secretaria do Idoso de Londrina. No entanto, casos classificados como violência financeira se tornaram comuns nos últimos anos. O tema foi discutido entre profissionais que atuam diretamente no combate a todo o tipo de desrespeito às pessoas com mais de 60 anos. O evento lembrou o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, celebrado em 15 de junho.
Todos os dias, a Secretaria do Idoso é informada sobre dois ou três novos casos de agressão. Em 2013, foram formalizadas 600 denúncias em Londrina. Entre janeiro e junho deste ano, 240 casos foram informados ao município. Ainda não há estatísticas específicas relacionadas à violência financeira, mas o promotor de Defesa dos Direitos do Idoso, Miguel Sogaiar, destacou que o tema tem preocupado as autoridades locais.
"Muitos desses idosos acabam sendo induzidos ou coagidos por filhos e netos, que os obrigam a fazer empréstimos consignados. Isso diminui a renda do idoso e, normalmente, esses recursos não passam de um salário mínimo", afirmou Sogaiar.
O promotor alertou ainda que a prática pode caracterizar crime, de acordo com o Estatuto do Idoso. "Havendo coação, isso pode ser entendido como apropriação indébita por parte da família e aí requisitamos a instauração de inquérito policial. Temos que apurar e algumas vezes até oferecer denúncia na área criminal contra essas pessoas", contou Sogaiar. Nestes casos, o artigo 102 prevê pena de um a quatro anos de detenção, além do pagamento de uma multa.
A violência financeira também ocorre quando há desvio de recursos da aposentadoria sem o consentimento do beneficiário. As denúncias são feitas pessoalmente nos órgãos de assistência social e na Secretaria Municipal do Idoso ou por meio do Disque 100. A secretária Maria Inez Mazzer Barroso garantiu que a rede municipal é acionada de forma rápida.
"Temos situações de todo o tipo de violência, incluindo a financeira. Dependendo do caso, tentamos esclarecer a família, fazer a conciliação e buscar o melhor caminho. Quando não há um consenso, também repassamos as denúncias ao Ministério Público", reforçou.
A gerente de Atenção à Pessoa Idosa, Fábia Melhado Bere, lembrou ainda situações de abandono e de negligência. "Os conflitos e o desrespeito surgem, geralmente, na própria família. Há, muitas vezes, despreparo em relação às doenças e os idosos acabam sendo abandonados. Também há casos em que a família se recusa a cuidar do idoso por causa de um histórico de comportamento agressivo", explicou.

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