Aposentar e mudar para uma cidade pequena ou distrito rural em busca de paz. Este sonho ainda é comum, em especial entre moradores de grandes centros urbanos, que querem fugir do estresse e da violência. Hoje, no entanto, viver no campo não significa necessariamente ter uma rotina mais sossegada. Enquanto a violência e o vandalismo passam a fazer parte do cotidiano nos distritos de Londrina, os moradores reivindicam mais policiamento para ter de volta a tranquilidade perdida.
Poucos minutos de conversa com a comunidade bastam para colecionar histórias de vítimas da violência. O crime mais comum é o arrombamento. Mas também há relatos de assalto, furto, vandalismo e homicídio. E a cobrança dos moradores também é parecida nos diferentes distritos. A presença efetiva de policiais, com rondas fixas e constantes, é apontada como o principal modo de reduzir as ocorrências.
Os autores dos crimes, de acordo com as próprias comunidades, são moradores da Zona Rural e menores de idade. No Distrito de Paiquerê (Zona Sul), Joaquim Moreira Júnior, 27, foi assassinado no final do mês passado (leia mais nesta página). No último final de semana, também foi registrado um homicídio no Distrito de Maravilha (Zona Sul).
Já em Lerroville, também na Zona Sul, por exemplo, a ação de um grupo de cinco ou seis adolescentes está tirando o sossego de quem vive ou trabalha no local. O proprietário de um supermercado, André Pereira, 33 anos, conta que estabelecimento foi alvo de arrombadores uma vez por mês nos últimos 90 dias.
Os ladrões levaram de tudo. ''Doces, mantimentos, botinas. Não tenho idéia do prejuízo. Tenho alarme, mas como não há policiamento o pessoal aproveita para apavorar. Ficou insuportável'', queixa-se o comerciante. A comunidade, porém, não ficou só na reclamação. Mobilizados, os moradores já fizeram reuniões e protocolaram pedidos de intensificação das rondas junto ao 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM). Até agora o sonhado reforço ainda não tornou-se realidade.
A situação é, no mínimo, irônica. Uma vez que a corporação conta com um módulo na avenida principal do distrito. O que falta é uma presença mais efetiva dos policiais. Para o motorista Denilson Macedo, 38, de uma das famílias pioneiras de Lerroville, acredita que dois policiais e uma viatura seriam suficientes para dar conta do recado.
A pauta de reivindicações da Associação de Moradores e Agricultores do distrito rural é um pouco mais intensa. Segundo o presidente José Aparecido Teodoro, contém medidas a reativação do módulo e a presença constante de policiais, inclusive durante as noites.
Os estabelecimentos comerciais não são o único alvo dos criminosos. Nem a fiação elétrica e os transformadores das propriedades rurais são poupados. E a ação ocorre com mais facilidade à noite, período em que as rondas são suspensas e os bandidos ficam livres para agir. Enquanto isso, no módulo da PM, um cartaz informa o horário de funcionamento: das 8 às 11h30 e das 13h30 às 17h30. ''Mas pode vir qualquer hora do dia que o prédio está fechado'', garantem os moradores de Lerroville.
Do outro lado do município, na Zona Norte, os problemas enfrentados por quem vive no Patrimônio Heimtal são parecidos. Assim como as causas. Para o presidente da Associação de Moradores do Heimtal, José Roberto Machado, a ação de adolescentes é o que mais preocupa. A maioria é formada por moradores do próprio distrito, que transformam imóveis desocupados em mocós e consomem drogas nas ruas. ''Agora até assalto a ônibus dentro do distrito nós tivemos. E já que não tem ronda fixa no distrito, os adolescentes continuam agindo'', lamenta.
Segundo ele, os policiais apreendem os jovens infratores. Porém, pouco tempo depois eles voltam a apavorar os cerca de 700 moradores do distrito. O sossego de tempos atrás pode até voltar a imperar na localidade, só que depende, na opinião de Machado, de reforço no policiamento.

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