Luciana Pombo
De Curitiba
Uma pesquisa realizada em Curitiba demonstrou que a principal causa que leva crianças e adolescentes a viver nas ruas de Curitiba, cerca de 44%, é a violência doméstica. A pesquisa, realizada pelo psicólogo Gilberto Gnoato, demonstra ainda que 61,54% dos meninos de rua com idades entre 0 e 13 anos usam drogas a menos de dois anos. O tempo coincide com o período em que os garotos vivem nas ruas, 57,14% responderam que moram a menos de dois anos no anel central da cidade.
‘‘A pesquisa revela que o que faz com que os meninos frequentem as ruas não é mais o fator econômico. Eles não vão para a rua porque não têm o que comer em casa. Eles vão para as ruas porque não aguentam mais o convívio familiar. O foco da violência, geralmente, são os pais ou padrastos’’, explica Gnoato.
Para fazer a pesquisa, que está na fase final, o psicólogo elaborou dois questionários e selecionou 40 meninos de rua, do sexo masculino, sem qualquer vínculo familiar, envolvidos com o uso de drogas e com atividades ilícitas, como pequenos furtos. ‘‘A primeira impressão que eu tive ao verificar a situação é a de que as instituições de assistência social estão falhando. Elas não tem um conceito operacional’’, declarou ele.
O questionário demonstrou que 56% dos meninos de rua gostam das instituições e 92% dizem que sairiam das ruas se as entidades fossem melhoradas. ‘‘As instituições não estão sabendo trabalhar com o próprio comportamento do menino de rua, que é imediatista e não se sujeita a regras. Os meninos tem comportamentos parecidos, vivem em bandos e não conseguem estabelecer laços sociais’’, disse Gnoato.
A pesquisa do psicólogo foi motivada após uma experiência que teve em 1987, quando capacitou e treinou 17 meninos de rua para integrarem a sociedade. ‘‘Eles iriam alcançar a maioridade e resolvemos adaptá-los e fazer com que eles chegassem ao mercado com uma profissão’’, afirmou o professor. Os meninos foram capacitados e registrados na Prefeitura de Curitiba com salários que variavam – se calculados nos dias de hoje – entre R$ 500 e R$ 700. ‘‘Um ano depois, todos estavam nas ruas novamente’’, disse ele.
Em 1997, Gnoato tentou localizar os adolescentes – hoje adultos – e verificou que de todos eles, apenas um não estava nas ruas. ‘‘O que temos que saber é o porquê que isto ocorre. E é isto que quero descobrir. Acho que o caminho está na busca pela melhoria das instituições’’, salientou. De acordo com dados não oficiais, vivem em Curitiba cerca de 150 meninos de rua.Pesquisa mostra que 44% dos meninos que moram nas ruas de Curitiba deixaram as casas por causa da violência doméstica
José SuassunaFUTUROA pesquisa foi coordenada pelo psicólogo Gilberto Gnoato que descobriu também que quase 60% das crianças estão na rua há menos de dois anos

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