Com índices de homicídios próximos aos de São Paulo e Rio de Janeiro, Londrina vive hoje uma ''situação dramática'' de violência urbana. Essa foi a avaliação feita pelo consultor em segurança pública Luiz Eduardo Soares, que esteve ontem na cidade ministrando a palestra ''O Papel do Município na Segurança Pública''. Com pós-doutorado em filosofia política e dez livros publicados sobre o assunto, Soares é co-autor do atual Plano Nacional de Segurança Pública, ex-secretário nacional de Segurança Pública e diretor executivo do Instituto Pró Sistema Único de Segurança Pública (Pró-Susp). O evento do qual participou faz parte do ciclo de palestras Indústria de Idéias, que tem apoio do Conselho Comunitário de Segurança de Londrina e do Conselho de Segurança da Região Norte.
Segundo Soares, Londrina apresenta a mesma proporção de homicídios que as cidades mais violentas do país, que é de cerca de 45 homicídios por 100 mil habitantes por ano. ''É extraordinariamente alto, Londrina vive uma situação de gravidade máxima, com números parecidos com os de São Paulo, Rio de Janeiro e Vitória. E se for feito um levantamento só da população masculina, com idade entre 15 e 24 anos, que é onde os homicídios se concentram, esse número deve subir para uma proporção de 150 a 200 por 100 mil habitantes, mais que na guerra do Oriente Médio'', avaliou. No ano passado foram 193 homicídios na cidade e nesse ano, até ontem, 72 mortes, a maioria entre jovens.
Para o especialista, segurança pública é um dos principais problemas do país e por isso mesmo não deve ser só de responsabilidade dos governos estaduais e federal. ''É dever do Estado, mas responsabilidade de todos, e os municípios, de uma maneira geral, 'lavaram as mãos' sobre esse assunto. Como se confunde segurança com policiamento, e a polícia não é de responsabilidade dos municípios, deduz-se que eles não tem que investir em segurança '', alertou.
Ele cita principalmente o trabalho preventivo como de obrigação do município. ''Segurança não se faz só com polícia, mas é toda ação que intercepta as dinâmicas geradoras de violência'', afirmou. Exemplos disso são ações que combatam a violência doméstica e que afastem os jovens do tráfico de drogas.
Quanto ao tráfico, explicou, é preciso conhecer seu funcionamento, entender que os jovens são ''seduzidos'' não apenas pelo aspecto econômico, mas pela auto-estima que recuperam com as armas e o ''poder''. ''É uma forma perversa de recuperar a auto-estima, mas infelizmente, com o tráfico, eles passam a ser vistos, reconhecidos, respeitados. Por isso não basta a repressão, mas compreender a dinâmica psicológica e afetiva do tráfico para esses meninos'', afirmou. Soares defende um melhor direcionamento do que já é aplicado em programas sociais nos municípios para que realmente atinjam o público que necessita deles. ''Não se trata de abrir frentes de trabalho, mas de disputar esses meninos com o tráfico. Eles não querem ser engraxates dos nossos sapatos, mas ter sapatos''.

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