Mudanças no comportamento e queda no rendimento escolar são apenas alguns dos sintomas para que um professor reconheça que algo não vai bem com o aluno. Dentre os problemas que levam a essas situações, estão, principalmente, a violência doméstica (física, sexual, negligência) sofrida por crianças e adolescentes. No sentido de promover o debate para a compreensão do ambiente das instituições de ensino como espaço coletivo de ações de prevenção contra a violência, o Laboratório de Tecnologia Educacional (Labted) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) promoveu hoje o 4º Seminário de Prevenção ao Fenômeno da Violência Doméstica contra Crianças e Adolescentes (VDCA) no âmbito Escolar sob o tema "Instituições de Ensino - Ações Potencializadoras na Proteção da Criança e do Adolescente".

Dentre as temáticas foram realizadas palestras sobre condutas para os casos de VDCA no âmbito escolar; os conflitos da família contemporânea reconfigurada e os seus impactos para a escola; o verdadeiro papel da comunidade escolar na prevenção do fenômeno da violência doméstica contra crianças e adolescentes; e o bullying homofóbico contra crianças e adolescentes e a sua percepção no ambiente escolar.

De acordo com educador do Labted Paulo Negri, coordenador do evento, o objetivo é capacitar os profissionais da área de educação sobre o tema, primeiramente, pela sensibilizaçao e instrumentalização do olhar do professor para que este possa fazer o devido encaminhamento. "A porta central para identificar possíveis casos de violência é a sala de aula e a escola. Os professores ficam muito tempo com os alunos e acabam conhecendo o perfil de cada um. Nosso trabalho é, justamente, conscientizar que o ele tem papel fundamental em romper com a cultura do silêncio e de que no lar do outros não se pode intrometer. A partir disso, que o professor tenha formas de instrumentalizar o reconhecimento do fenômeno e como, então, agir", explica.

A ação, geralmente, acontece por meio de notificações aos órgãos de assistência social que, de acordo com a natureza da violência, vai ser encaminhada aos diversos setores da rede que envolve as secretarias de Saúde, de Assistência Social e de Educação. "Ainda há muito o que melhorar, mas o município já avançou muito nas medidas. Os números de notificações, certamente, ainda não representam a totalidade de casos, mas vêm aumentando a cada ano." Porém, tão importante quando as denúncias por parte dos professores e da equipe pedagógica, de acordo com Negri, são as ações de prevenção a serem realizadas por toda comunidade escolar e externa. "É fundamental envolver todos nessa discussão, seja por meio de palestras, eventos ou na própria grade curricular."

Em sua palestra, Cláudia Serpeloni Lizotti, assistente social do município de Cambé, conta que desde 2009, quando a rede foi estruturada no município, até agora, já recebeu 1,2 mil notificações de famílias. "Sabemos que há muitos mais casos. O preocupante, no entanto, é que deste total de denúncias, um parcela quase inexistente vem das escolas. Ou seja, ainda há muita resistência da comunidade escolar em levar adiante casos de violência." Isso acontece, principalmente, pelo medo e insegurança dos professore que estão lotados em comunidades de realidades dominadas pelo tráfico e criminalidade. "Para isso, desenvolvemos uma ficha de notificação, baseada Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) do Ministério da Saúde, em que a equipe preenche com total anonimato, mas de maneira eficiente. É preciso urgente haver essa mudança de olhar para a prevenção e ações conjuntas."

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