VIOLÊNCIA EM DEBATE - parte 1 Especialistas garantem que é possível recuperar menores
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 13 de junho de 2005
Fernando Rocha Faroe Carolin e Vicentini<br> Reportagem Local 
A violência crescente entre crianças e adolescentes em Londrina é consequência de uma ampla gama de fatores econômicos, sociais e psicológicos, e a responsabilidade pelo resgate dos infratores deve ser dividida entre comunidade e poder público, em um trabalho concatenado das diversas esferas governamentais e das iniciativas comunitárias.
Essa é uma das conclusão de debate promovido pela Folha de Londrina com representantes de setores ligados ao trabalho de repressão, punição e recuperação de jovens infratores. Os especialistas discutiram as causas da violência entre as crianças e os adolescentes e apontaram possíveis soluções concretas para reduzir o envolvimento no mundo do crime. Os debatedores também concordaram que todos os jovens são recuperáveis, desde que exista comprometimento da família, escola, comunidade e autoridades em promover esforços para solucionar o problema.
O encontro na sede da Folha teve participação da promotora da Vara da Infância e da Juventude, Édina Maria Silva de Paula, do subcomandante do 5 º Batalhão da Polícia Militar (BPM), major Altivir Cieslak, da diretora do Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi), Odila Santos Cabral, do presidente do Conselho Comunitário de Segurança, Alvino Aparecido Filho, da presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), Cristina Coelho, do comandante da Patrulha Escolar, Tenente Fábio Bonifácio Ferreira, da diretora do Programa Sentinela, Telcia Lamônica de Azevedo Oliveira, da coordenadora do Projeto Murialdo, Jaqueline Micali, e do representante do Conselho Tutelar, Danilo Rafael de Castro.
O juiz da Vara da Infância e da Juventude, Ademir Ribeiro Richter, e a diretora do Centro de Sócio-Educação, conhecido como Educandário, Laura Okamura, também foram convidados, mas não compareceram.
De acordo com dados do 5 º Batalhão da Polícia Militar (BPM), 546 ocorrências envolvendo crianças e adolescentes foram registradas em Londrina de janeiro a maio, divididas entre roubos (95), furto qualificado (59), porte de arma (59), uso de drogas (44), tráfico de drogas (43), furto simples (40) e homicídio (5). Em 2004 e 2003, foram contabilizados, respectivamente, 1.330 e 1.535 ocorrências. O resultado é o alto número de adolescentes encaminhados para o Ciaadi, que atualmente abriga 28 internos em 36 vagas, e o Educandário, que está com 27 em 50 vagas. Muitos jovens também são encaminhados para instituições em outras cidades do Estado.
Para a completa recuperação, todos os debatedores concordaram que o vínculo com os jovens é imprescindível. Segundo eles, este vínculo pode ser obtido com a família, namorada, amigos, Igreja ou trabalho. ''Há casos considerados quase irrecuperáveis que se regeneram através do contato com Deus'', garante o major Altivir Cieslak.
''Na verdade, o adolescente sai procurando na comunidade alguém que imponha limites. Se dentro da família, o pai, a mãe, o irmão mais velho, não lhe dão nehum limite. Na escola, o professor, o diretor, não dão limite ele continua procurando'', acrescenta Aparecido Filho, do Conselho Comunitário de Segurança. Já o representante do Conselho Tutelar, Danilo Castro, destacou a importância da cobrança popular para que o poder público invista na área. ''As mudanças só serão possíveis na pressão'', afirma.
''Nós, enquanto sociedade civil organizada, não conseguimos trabalhar em rede. Coisa que o traficante sabe muito bem fazer. O que a sociedade pode e deve fazer é dar atenção'', resume a promotora Édina Maria Silva de Paula.


