Marcos BorgesEm debateA coordenadora especial da mulher, Cleide Camargo, abre o painel: providências jurídica e policial Quais as providências que as mulheres vítimas de violência podem tomar, tanto no campo jurídico quanto no policial? Para prestar esclarecimentos sobre este assunto, foi realizado um painel ontem à tarde no salão paroquial do conjunto São Lourenço (zona sul). O painel O Direito e a Violência Contra a Mulher fez parte da programação da 5ª Semana Municipal da Mulher, e foi aberto pela Coordenadora Especial da Mulher, Cleide Camargo.
Na opinião da promotora da Vara da Infância e Juventude, Solange Novaes da Silva Vicentin, muitas mulheres que sofrem violência dentro de casa têm medo de perder seus direitos (como guarda dos filhos e parte dos bens) se denunciar o caso à Justiça. Ela explica que as mulheres, além de sofrer violência por parte do seu companheiro, são intimidadas constantemente. ‘‘O homem fala que, se ela procurar a Justiça, tira o filho dela’’, exemplificou. A promotora diz que, geralmente, a mulher tem direito de ficar com seu filho, a não ser que sua conduta moral a impeça.
A advogada trabalhista londrinense Maria Zélia Oliveira e Oliveira também participou do painel fazendo um breve resumo sobre a história das mulheres no mercado de trabalho. Ela relata que a mulher ainda enfrenta grandes obstáculos na vida profissional, como a equiparação salarial. ‘‘A mulher acaba ganhando menos que o homem.’’
Maria Zélia fez comentários também sobre o assédio sexual. ‘‘Ela está diretamente sujeita a este problema porque a maiora dos empregadores é do sexo masculino.’’ A advogada explica que existe uma parcela de mulheres que acreditam que podem subir na carreira se submetendo a algum tipo de assédio. ‘‘A mulher precisa saber que este tipo de procedimento é ilegal. Ela tem que ter consciência que é preciso galgar cargos pela competência.’’
A delegada Maria Joseléia Piggozzi falou sobre o trabalho desenvolvido pela sua equipe. Ela conta que, neste ano, mais de 100 casos foram encaminhados para serem resolvidos pelo Juizado Especial de Pequenas Causas. Entre as ocorrências mais comuns, estão lesão corporal e ameaça. Joseléia Piggozzi explica que nem todos os casos que chegam à delegacia resultam em processo. Muitas vezes é feita a composição - as partes envolvidas são chamadas para resolver o problema.
O evento foi aberto ontem de manhã, no saguão da prefeitura, com a entrega do Prêmio Cidadania 96/97. Receberam o prêmio 19 mulheres que se destacaram por trabalhos em prol da qualidade de vida.

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