Mônica Kaseker

Kraw PenasYara Meireles, atendendo uma vítima de agressão: dependência financeira ainda prende mulheres a situações de riscoA violência contra a mulher corresponde a mais da metade dos atendimentos do Fórum da Cidadania, um espaço vinculado à Coordenadoria dos Direitos da Cidadania, da Secretaria de Estado da Justiça, com sede em Curitiba. Apesar de existir há três anos, o serviço de orientação jurídica, psicológica e social ainda é pouco conhecido. Os 1,2 mil casos atendidos pelo Fórum chegaram através da indicação de delegacias, quando as ocorrências já haviam se transformado em caso de polícia.
A psicóloga Yara Tilmann Meireles está no Fórum desde que o serviço era uma organização não governamental, ligada à associação filantrópica das esposas de promotores. Durante todo este período ela acompanhou mulheres vítimas de agressão e ameaças por parte de seus próprios companheiros. Segundo ela, a dependência financeira ainda prende muitas mulheres a situações de risco. Mas algumas não estão preparadas psicologicamente para a separação e poucas conseguem levar a idéia até o fim. Mesmo aquelas que conseguem se separar do marido agressor estão propensas a entrar numa nova relação com as mesmas características.
As mulheres acreditam nas ameaças do companheiro e temem que ele se vingue depois da separação e da denúncia. Yara lembra de um caso em que o marido ameaçou cortar todos os dedos da mulher. ‘‘Quando a violência cresce ou ameaça também os filhos, elas criam mais coragem’’, conta. Mas depois do primeiro impulso, a raiva passa e o medo volta. Durante estes três anos de existência do Fórum apenas um caso de agressão de uma mulher contra o companheiro foi registrado.
O advogado Ozíres Schiavon acredita que as mulheres estão mudando, principalmente porque estão trabalhando e se tornando mais independentes. Com isso, elas percebem mais facilmente quando estão sendo usadas ou enganadas. Um dos casos que chamaram a atenção do advogado foi o de um casal que tinha um bar em sociedade. O homem disse que ia jogar bola à noite e acabou não dormindo em casa. No dia seguinte, ao abrir o bar ela descobriu que ele havia levado todos os equipamentos e móveis. Só dois meses depois ela procurou o Fórum porque ainda tinha esperança de que ele voltasse. O Fórum não faz separações, mas orienta e encaminha os processos para a defensoria pública.
A coordenadora do Fórum, Ana Maria Macedo, lamenta não ter mais estrutura para atender o público e conta que quando algumas pessoas descobrem que podem obter apoio e orientação passam a frequentar o Fórum periodicamente. Este ano, uma das metas da equipe é reivindicar uma casa para receber as mulheres vítimas de agressão, em que elas possam continuar cuidando dos filhos e trabalhando até reorganizarem a vida depois da separação.

mockup