Violência em casa
Dimitri do Valle
As mães são responsáveis pela maioria das agressões a crianças na Região Metropolitana de Curitiba. A constatação faz parte do resultado de uma pesquisa feita pelo Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) durante todo o ano passado. De 100 casos estudados, cerca de 52% deles foram cometidos pelas mães.
As psicólogas Lidia Weber, Flávia Arantes e Francine Gonçalves, que realizaram a pesquisa, reiteraram no trabalho que o pai não é um mero coadjuvante nas agressões. Apesar de bater com menos frequência (14%), ele é o responsável pelas lesões mais graves. O pediatra do Hospital Evangélico de Curitiba, Gilberto Pascolato, que analisou 225 casos de agressões em 1998, apurou que os métodos mais comuns para atingir os filhos são as próprias mãos ou cintas.
A cabeça das crianças é o alvo mais frequente das agressões, constatou o médico. O alcoolismo, o desemprego e a desagregação familiar são apontados como motivos dos espancamentos nos dois estudos divulgados com exclusividade pela Folha. As pesquisas tiveram como base os atendimentos registrados no SOS Criança, um órgão ligado à Secretaria Municipal da Criança e criado para atender menores em situação de risco social.
De acordo com Lídia Weber, a agressão ainda é encarada como um método de educação familiar. A ciência já comprovou que a punição física não modifica o comportamento, observa. Mas como o adulto que agride normalmente sentiu na pele o peso de um soco, tapa ou pontapé na infância, Lídia diz que as agressões passam de uma geração para outra. Na tentativa de lutar contra a continuidade deste ciclo, a psicóloga está atrás de patrocínio para confeccionar panfletos informativos para orientar sobre como educar as crianças à base de muito carinho.
A pesquisa realizada pelas três psicólogas da UFPR também concluiu que as agressões não acontecem apenas nos setores menos abastados da sociedade. Durante o cruzamento dos dados, Lídia Weber confirmou que, proporcionalmente, pais da classe média alta provocaram mais agressões físicas do que a classe pobre, responsável pelo maior número de casos de negligência (não tratamento de doença, fome e deixar as crianças sozinhas em casa). Você não pode correlacionar violência com pobreza. A violência é democrática e atinge todas as classes sociais, afirma.





