Violência e vandalismo são os maiores temores de zeladores
Albari RosaFantasmas de carne e osso
Noeli Camargo: labirinto entre as lápides e as várias entradas favorecem a ação de marginaisVandalismo e violência são os maiores temores de quem vive dentro dos cemitérios de Curitiba. Ao contrário do que se poderia imaginar, aqueles que moram e trabalham ao lado dos túmulos e convivem de perto com a morte não estão preocupados com a existência de fantasmas e o assédio de espíritos sobre as suas vidas. A maior preocupação dessas pessoas que trabalham na conservação dos cemitérios é o medo de ser assaltado ou violentado sexualmente entre as lápides dos cemitérios. Nesses lugares, a ação dos seguranças é dificultada porque as ruas internas funcionam como verdadeiros labirintos, sem contar que as diversas entradas e saídas favorecem a ação dos marginais.
Para a zeladora de túmulos Noeli Camargo, 22 anos, que trabalha no Cemitério Municipal São Francisco, o problema não são os mortos, mas os vivos. Essa frase de Noeli é quase um lema para suas companheiras de trabalho, que encaram com naturalidade a proximidade com a morte. Poucas se aventuram a trabalhar nos fundos dos cemitérios sem que todo o grupo vá junto. Elas ainda se referem à morte de um senhor que foi encontrado enforcado perto do túmulo do filho. Quando tem alguém mal encarado por lá ninguém se aventura a fazer o serviço, conta Maria Kodo, 34 anos, que há 13 anos trabalha no Cemitério Municipal São Francisco.
A zeladora Noeli diz que, mesmo sendo professora de primeiro grau, preferiu abandonar as salas de aula para se dedicar ao trabalho nos túmulos, a fim de ganhar um salário melhor e ter uma vida mais tranquila. Dando aulas recebia R$ 279 e aqui faturo até R$ 700. Noeli conta que o melhor de seu trabalho é a pouca rigidez no horário e a identificação com o local, pois desde criança acompanha a mãe - que também é zeladora de túmulos.





