Florestópolis - Não é de hoje que a tranquilidade já não faz mais parte do dia a dia das pequenas cidades, mas em algumas localidades, como Florestópolis (Norte), os índices de violência e dependentes químicos estão assustando a comunidade e geram preocupação nos poderes públicos.
Com pouco mais de 12 mil habitantes, muitos ainda voltados ao trabalho rural, há cerca de cinco anos a cidade se viu invadida pelo crack, que mudou a forma de agir da comunidade. Neste ano, nove homicídios assustaram os moradores. E neste mês três escolas foram alvo de vandalismo e furtos.
Andando pela cidade, o clima é de medo. Poucas pessoas se atrevem a falar sobre o assunto, mesmo que seja sob anonimato. Um comerciante contou que entraram em seu estabelecimento duas vezes, mas depois que colocou alarme, o problema foi resolvido. ''Mas sabemos de vários outros que já tiveram problemas com furtos também'', acrescenta.
Outro comerciante afirmou que já teve problemas seis vezes. ''Já levaram mercadoria e também dinheiro, já que nos abordaram também durante o dia, com o estabelecimento aberto. Em três vezes a polícia conseguiu prender os autores, mas logo foram soltos'', reclama. Ele também disse que teve que investir em alarme e câmeras de segurança. ''Até quando vamos viver nessa situação? Para onde vai o dinheiro dos nossos impostos? Precisamos que os policiais de outros municípios venham mais vezes para cá, para ajudar na segurança'', pede. O comerciante afirmou nunca ter ligado no Disque Denúncia por desconhecer o número.
Entre os moradores, o consenso é de que a droga está em todos os locais da cidade, embora alguns bairros sejam mais problemáticos e sabidamente ponto de venda de entorpecentes. ''Sempre sai briga quando tem alguma festa, a gente nem sabe porque, mas as pessoas acabam se agredindo'', contou uma. ''Estudo durante a noite no colégio que foi vandalizado duas vezes. A gente não sabe quem foi, mas todo mundo tem medo de entrar alguém durante as aulas e machucar os alunos'', contou outra.
Números
O número de dependentes químicos mostra que realmente algo está errado. De acordo com Luciana Paula Carnelossi, assistente social responsável pelo Centro de Referência de Assistência Social (Cras), semanalmente chegam dois a três casos novos e o número de pedidos de internação chega a sete por mês.
''São pessoas de todas as idades e condições sociais. O grande problema é que o município não dispõe de convênios com clínicas para tratamento; algumas chegam a cobrar até dois salários mínimos mensais e poucos podem pagar esse valor. Tentamos mandá-los para locais que cobrem pouco, por isso já encaminhamos pacientes até para Campo Grande (MS)'', conta.
Luciana afirma que já foi solicitado ao governo estadual recursos para instalação de um núcleo especializado em álcool e drogas. ''Temos também muitos casos de problemas envolvendo o álcool, até encaminhamos para tratamento, mas depois que saem, essas pessoas não têm acompanhamento e muitos voltam para o vício'', destaca. De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde, a solicitação está sendo analisada antes de ser enviada ao Ministério da Saúde.

mockup