Curitiba - Delegados de polícia do Paraná estão preocupados com o aumento da violência no Estado. O assunto está sendo debatido no 2º Encontro Estadual de Delegados de Polícia, promovido pela Associação de Delegados de Polícia do Paraná (Adepol) e pelo Sindicato dos Delegados de Polícia (Sidepol). Para os organizadores, a política de segurança pública não está sendo tratada com seriedade.
O encontro foi aberto ontem, com palestra do articulista da Folha Luiz Geraldo Mazza, e termina amanhã. Serão discutidos temas como a relação entre Ministério Público e polícia, crime organizado, lavagem de dinheiro, menoridade penal, modernização da polícia judiciária e ética policial. A intenção é formar uma comissão de delegados que irá elaborar uma carta com as sugestões da classe para a área de segurança. O documento será entregue ao secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, e ao delegado-geral da Polícia Civil, Adauto Abreu de Oliveira. Os dois eram esperados para a abertura do evento, ontem, mas não compareceram.
Uma das reivindicações dos delegados é a reestruturação do quadro de policiais. De acordo com o presidente da Adepol, Fauze Salmen, o número de policiais civis, hoje, é menor do que há 20 anos. O Paraná, segundo ele, é o Estado que tem a menor proporção entre policiais e habitantes. A associação contabiliza 3.124 policiais, enquanto o governo divulga um quadro de 4,3 mil policiais.
A solução proposta pelo governo de colocar sargentos da Polícia Militar (PM) nas delegacias para suprir o déficit de policiais não agrada os delegados. ''Isso é um retrocesso'', criticou o vice-presidente da Adepol e do Sidepol, João Ricardo Keppes de Noronha. Ele também críticou a atual política de segurança. ''Há muito discurso e pouco resultado de ordem prática'', disse.
Já a Secretaria de Segurança Pública culpa o governo anterior pela defasagem e informa que está trabalhando para aumentar os quadros de pessoal. De acordo com o governo, foi autorizada a contratação de mais 1,3 mil policiais militares para complementar o efetivo atual de 17,3 mil homens. Já a Polícia Civil, segundo o governo, ganhou 15 novos delegados este ano.

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